Um antigo hospital particular desativado desde 2014 virou motivo de disputa judicial e preocupação no Centro de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O imóvel, localizado em frente ao terminal de ônibus — uma das áreas mais movimentadas do município — passou a abrigar um projeto social, mas comerciantes relatam aumento da insegurança, com registros de furtos, brigas e abordagens agressivas.

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Prédio do antigo hospital no Centro de Piraquara está abandonado e virou alvo de reclamações por insegurança. Foto: Reprodução/ Ric RECORD.

O prédio, com mais de 9 mil metros quadrados, apresenta sinais claros de abandono: paredes pichadas, portas e janelas depredadas e estrutura deteriorada. O imóvel está em disputa judicial por um desentendimento entre a antiga família proprietária e o novo comprador.

Em novembro de 2025, o caso ganhou um novo capítulo. Segundo informações da Ric RECORD, o antigo dono não teria recebido o valor acordado na negociação. Mesmo sem posse definitiva, o comprador autorizou o funcionamento do projeto social Gênesis: Restaurando Vidas no local.

Desde então, comerciantes e moradores afirmam que houve aumento no número de pessoas em situação de vulnerabilidade social na região, além de episódios de furtos, confusões e importunações.

Comerciantes relatam medo e prejuízos

Em entrevista à repórter Simone Giacometti, da Ric RECORD, Sandro Rezende de Melo, que trabalha no mesmo ponto comercial há 18 anos, afirma que percebe uma relação direta entre os problemas e o funcionamento do projeto no antigo hospital.

“Infelizmente a gente está passando por dificuldades aqui. Falta de segurança e muitas pessoas prejudicando o comércio local”

diz Sandro.

Na Lanchonete do Jair, as mesas externas precisam ser constantemente vigiadas. “A gente não sabe se trabalha ou cuida das pessoas na rua. Tá incomodando demais”, afirmou Jair Kuba de Souza.

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Foto: Reprodução/ Ric RECORD

“Entram na nossa loja, abordam nossos clientes, pedem dinheiro. Pedem para a gente também, e se não dermos eles saem xingando, brigando”

relata a vendedora Juliana Gonçalvez.

Entre as mulheres, a sensação de insegurança é ainda maior. “A gente tem que se cuidar. É um grande transtorno, porque muitas clientes falam: ‘ah, eu não vou lá porque se eu não tiver uma moedinha para dar, eles ficam perturbando’. Eu mesma saio e entro no carro rapidinho para não dar confiança”, disse Andra Weber, manicure.

Prefeitura faz fiscalização no local

Diante das reclamações, a Prefeitura de Piraquara realizou, nesta terça-feira (3), uma ação integrada de fiscalização no imóvel. A operação contou com equipes de diferentes secretarias municipais, além do apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.

O objetivo foi verificar as atividades realizadas dentro do antigo hospital e apurar possíveis irregularidades.

Responsável pelo projeto nega irregularidades

O responsável pelo projeto social, Genises Diteles Dalpra, que é pastor em uma congregação religiosa, informou à Ric RECORD que estár morando no imóvel com autorização do atual responsável pela área.

“O espaço foi cedido pela atual empresa responsável. Antes de começar a limpeza em 11 de novembro, no dia 10 eu já fiz a documentação como datado por cinco anos, com direito a dobrar por 10 anos”

afirmou Genises.

Segundo ele, o projeto existe há 10 anos e funcionava anteriormente no bairro Caximba. A mudança para Piraquara permitiria a ampliação do atendimento. “Após a limpeza, estamos organizando para iniciar a reforma para ampliar”, disse.

Sobre a fiscalização, Genises declarou que apresentou parte da documentação e que vai entregar o restante dentro do prazo solicitado. Ele afirma ser vítima de “fofocas infundadas”, distorção da realidade e preconceito.

Disputa judicial e possível desapropriação

Em nota, o Legislativo informou que acompanha de perto a situação. Em novembro de 2025, um decreto declarou o espaço de utilidade pública para fins de desapropriação, em caráter de urgência, para incorporação ao patrimônio municipal e destinação à instalação de equipamentos e serviços de relevância pública.

A Prefeitura aguarda o desfecho do litígio na Justiça para concluir o processo.