O projeto do sistema de BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) para ligar Curitiba a Colombo, ao Norte da capital, e a Fazenda Rio Grande, no Sul, deve ser contratado ainda no primeiro semestre deste ano. A informação foi divulgada pelo governador Ratinho Junior (PSD), nesta sexta-feira (23). A iniciativa será conduzida pela Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) e envolve dois dos municípios mais populosos da Região Metropolitana de Curitiba, onde a demanda por transporte coletivo é uma das maiores do Estado.

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Foto: Jonathan Campos/AEN.

O investimento do Governo do Estado apenas nesta fase será de cerca de R$ 6,1 milhões. O edital foi publicado no dia 17 de dezembro e as propostas serão conhecidas no dia 25 de fevereiro.

Esse é um dos projetos mais abrangentes de mobilidade urbana na Grande Curitiba porque vai permitir a ligação do transporte coletivo em todo o Eixo Norte-Sul, ligando as duas cidades que possuem a maior demanda de transporte coletivo com a Capital. Serão implantadas pistas exclusivas para os ônibus, novas estação de embarque e desembarque e mais um terminal metropolitano em Fazenda Rio Grande. Ambos os trechos se encontram em perímetro urbano, totalizando aproximadamente de 23 quilômetros de extensão.

“A ideia é fazer essa grande artéria de transporte público, trazendo mais agilidade, menos tempo no trânsito e mais comodidade para a população. Além disso, queremos trazer inovação. No futuro, esse corredor pode receber inclusive o Bonde Urbano Digital, seguindo a experiência que já está em andamento entre Pinhais e Piraquara”

adiantou o governador Ratinho Junior.
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Foto: Amep.

Na ligação entre Curitiba e Colombo, partindo da Estação Atuba, serão 5,9 quilômetros de implantação de linhas exclusivas na BR-476. O trecho iniciará na porção norte da Linha Verde e terminará nas proximidades do Terminal Guaraituba.

“Queremos terminar o projeto completo da Linha Verde, com um trecho que vai do Atuba até o Alto Maracanã, em Colombo, e outro do Pinheirinho até Fazenda Rio Grande. Isso resolve um grande problema, especialmente na região do Ceasa, onde o trânsito costuma travar nos horários de pico, com grande fluxo de carros, caminhões e ônibus”

detalhou.
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Foto: Amep.

Entre Curitiba e Fazenda Rio Grande, partindo do bairro Pinheirinho, serão 17,5 quilômetros na BR-116. O trecho iniciará logo após o último retorno operacional da Linha Verde, a partir da passarela localizada nas proximidades da Rua Engenheiro João Bley Filho, e terminará no bairro Estados, em Fazenda Rio Grande.

“Assim que o projeto estiver concluído, entramos na segunda fase, que é a contratação das empresas para executar as obras. A ideia é resolver os problemas da Região Metropolitana, como já estamos fazendo em outras frentes”

reforçou o governador.

Veja o vídeo do projeto:

Importância do projeto

Nessa etapa serão avaliados pontos como a quantidade de passageiros, as ligações com outras linhas de ônibus, os possíveis impactos no trânsito e no ambiente urbano, para garantir que o projeto atenda às necessidades da população da região. Além dos estudos, o edital prevê a elaboração do anteprojeto em trechos considerados prioritários, onde há maior demanda e melhores condições para implantação do corredor a curto e médio prazo.

Atualmente o tempo de percurso entre o Terminal de Fazenda Rio Grande e o Terminal do Pinheirinho, na Capital, chega a levar 1 hora, sem contar eventuais ocorrências no trecho, no horário de pico. A implantação de uma canaleta exclusiva visa a permitir a elevação da velocidade operacional do sistema, aproximando-a dos limites regulamentares da via, atualmente fixados em até 60 km/h. Nessa condição o deslocamento cai para 15 minutos.

Já a BR-476, no município de Colombo, apresenta um nível de sobreposição de 10 a 26 linhas de transporte coletivo, o maior entre as vias com potencial para implantação de corredores na RMC, com intervalos médios entre 10 e 12 minutos entre os ônibus, evidenciando a alta demanda por transporte público. A velocidade comercial varia entre 27 e 38 km/h, e com o BRT a velocidade padrão da via alcança 60 km/h.

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Foto: Amep.

Segundo o diretor-presidente da Amep, Gilson Santos, a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), que reúne 29 municípios, vem se consolidando como uma das mais importantes do País. É a nona mais populosa e uma das que possuem melhor Índice de Desenvolvimento Humano (0,783) entre as 24 maiores regiões metropolitanas nacionais.

“A RMC já tem população maior que Curitiba e vai crescer mais. É o que apontam todos os estudos de planejamento urbano. E esse crescimento vai acontecer principalmente no Sul, em bairros de Curitiba como Umbará e Tatuquara, mas principalmente Fazenda Rio Grande, que já foi uma das cidades que mais cresceu no País no último Censo, Mandirituba e Quitandinha”

comentou o diretor-presidente da Amep, Gilson Santos.

“Quando a concessão dessa rodovia foi feita no passado ela já previa a possibilidade desse corredor. Agora estamos efetivamente tirando isso do papel. Vamos estudar linhas para ônibus, mas no futuro esse espaço exclusivo pode ser usado pelo Bonde Urbano Digital ou até mesmo VLT”, complementou.

De acordo com o secretário de Cidades, Guto Silva, o principal ganho do novo corredor de ônibus será a redução do tempo de deslocamento para quem depende do transporte coletivo diariamente.

“Esse projeto significa tempo para o trabalhador. Colombo e Fazenda Rio Grande são duas das cidades que mais transportam trabalhadores todos os dias para Curitiba, e ter um novo eixo, com uma canaleta exclusiva e ônibus rápidos, permite diminuir significativamente o tempo de viagem”

analisou Guto Silva.
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Foto: Amep.

Etapas e estudos

O eixo Sul está dividido em quatro subtrechos: Pinheirinho/Campo de Santana (7,20 km); Campo de Santana/Rio Iguaçu (4,66 km); Rio Iguaçu/Terminal Fazenda Rio Grande (2,69 km); e Terminal Fazenda Rio Grande/Estados (3,26 km). O Norte está dividido em três subtrechos: Atuba/Rio Atuba (1,34 km); Rio Atuba/Alto Maracanã (1,80 km); e Alto Maracanã/Guaraituba (3,77 km).

O estudo de viabilidade será desenvolvido para todos os subtrechos considerando o funcionamento do sistema como um todo, desde seu início no ponto mais ao Sul até o ponto mais ao Norte. No entanto, ele vai propor as melhores soluções e intervenções para a implantação das vias exclusivas para o transporte público levando em conta todas as particularidades de cada um dos trechos. A ideia é que as licitações das obras iniciem assim que os primeiros projetos fiquem prontos.

O estudo prevê alguns itens específicos. Para transposição dos Contornos Leste e Sul de Curitiba, por exemplo, deverá ser estudada a implantação de um novo viaduto, entre os dois viadutos existentes (atualmente o sistema conta com um viaduto por sentido da BR-116), com largura suficiente para acomodar as duas faixas de tráfego do BRT em canaleta exclusiva, além das barreiras de segurança, configurando uma passagem em desnível para o sistema. Como alternativa, deve ser estudado o alargamento dos viadutos existentes.

O projeto também prevê uma Estação de Integração no Ceasa e outras em alguns bairros das três cidades, como Pompeia, Caximba, Campo do Santana, Áustria, Nações, Gralha Azul, Parque Verde, Atuba, Rio Verde, Maracanã, Fátima, São Gabriel, intersecções em nível e desnível, requalificações fluviais, adaptações nos terminais existentes (Maracanã e Guaraituba), por exemplo, um eixo binário em Colombo, além de outras obras.

O estudo vai avaliar as concepções técnicas e financeiras necessárias e já será desenvolvido dentro da Metodologia BIM. Ele também trará impacto socieconômico e estudos específicos sobre rios, interferências urbanas, desapropriações e aspectos geológicos.