Um bebê de 1 ano e 11 meses está internado em estado gravíssimo após se engasgar durante a refeição em um CMEI de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A família denuncia que houve negligência e afirma que, em vez de acionar imediatamente uma ambulância, os funcionários da creche teriam ligado primeiro para a mãe da criança.

Segundo informações da RIC Record, a mãe correu até o CMEI e saiu do local a pé, com o filho nos braços, em busca de atendimento no pronto atendimento mais próximo. Uma ambulância só foi acionada depois da avaliação dos enfermeiros do posto.
O bebê foi levado às pressas ao Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, também na RMC, onde precisou ser intubado e sofreu duas paradas cardíacas, de acordo com a família. Ele tem suspeita de autismo e depende de auxílio para todas as atividades, inclusive na alimentação.
“Uma criança que está intubada hoje no hospital… ele sofreu duas paradas cardíacas. Não tem como falar que está bem”
disse o pai da criança, Carlos Machado, em entrevista à Ric RECORD.
A tia do bebê, Stefani Farias, reforçou a indignação com a conduta da creche.
“Ele não consegue, igual as outras crianças, se alimentar sozinho. Provavelmente estava sendo alimentado por alguma assistente. O que mais nos deixa tristes é que, se tivesse tido o socorro que ele precisava na hora, não estaria internado no hospital. Você chama a mãe quando a criança está com febre, não quando se engasga”
afirmou Stefani.
Os advogados que representam a família afirmam que houve falha grave no atendimento dentro do CMEI.
“Nós vamos responsabilizar o poder executivo municipal nesse caso. No momento do engasgo, não era para ligar para a mãe. Era para chamar o Samu, o Siate ou qualquer serviço de saúde. Só depois avisar os pais. Houve negligência latente e não vamos deixar isso passar em branco”
afirmou o advogado José Diniz.
A advogada Herliane Marmitt reforçou que o atendimento adequado poderia ter mudado o desfecho. “Se tivesse ocorrido intervenção de profissionais habilitados naquele momento, ele não estaria tão debilitado agora”, complementou a advogada.
Conforme apurado, a criança foi transferida para o Hospital Erastinho, em Curitiba, onde permanece internado em estado grave.
O que diz a Prefeitura de Quatro Barras
A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Quatro Barras para saber quais medidas foram adotadas pela administração municipal. Leia a nota na íntegra:
“Diante do episódio ocorrido nesta terça-feira (25) no Centro Municipal de Educação Infantil Tia Elenai, a Prefeitura Municipal de Quatro Barras informa que vem acompanhando o caso e que já dispõe, oficialmente, das imagens de monitoramento interno do CMEI demonstrando os primeiros socorros prestados à criança na unidade educacional.
A Prefeitura informa que está tomando as providências, judicialmente, para autorização da liberação das imagens, em virtude das vedações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
O município vem realizando todas as apurações cabíveis e vem concedendo suporte e apoio à família, acompanhando diuturnamente o estado de saúde do aluno, que se encontra internado no Hospital Angelina Caron.
Esclarece ainda que todos os servidores da Secretaria Municipal de Educação são constantemente capacitados tendo, inclusive, ministrado no ano de 2025 duas formações de primeiros socorros.
A Prefeitura reforça seu compromisso com o total esclarecimento dos fatos, desejando – prioritariamente – o restabelecimento de saúde completo do aluno.”