Alunos e funcionários de uma autoescola localizada no Centro de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), vivem dias de incerteza após o estabelecimento interromper as atividades sem aviso prévio e sem realizar os pagamentos devidos. O fechamento repentino deixou processos de habilitação parados e trabalhadores sem salários e direitos trabalhistas.

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Foto: Reprodução/ Ric RECORD

Após as festas de fim de ano, alunos começaram a enviar mensagens à autoescola em busca de informações sobre a retomada das aulas e do andamento dos processos. Nesta semana, no entanto, descobriram que não havia mais atendimento.

De acordo com a repórter Thais Travençoli, da Ric RECORD, alguns alunos chegaram a ir até o Detran-PR para realizar a prova prática, mas foram surpreendidos ao saber que não poderiam fazer o exame por falta de instrutor e de veículo.

“Eu quero o meu dinheiro de volta ou terminar o meu processo em outra autoescola sem precisar pagar, porque alguém tem que ser responsabilizado, a autoescola ou o Detran”

desabafou uma aluna.

Na porta do estabelecimento, um aviso informa: “As atividades da autoescola estão suspensas por encerramento operacional. Todas as orientações administrativas e legais serão divulgadas pelos canais oficiais no momento oportuno”.

Relatos de alunos e funcionários

O aluno Lucas contou que pagou quase R$ 2 mil pelo processo de habilitação e estava perto de concluir. Faltavam apenas oito aulas práticas antes do agendamento da prova.

“Está sendo difícil. Eu queria pelo menos uma resposta para saber como vai ficar, porque senão eu quero meu dinheiro de volta mesmo. Sempre planejei tirar a CNH. Gosto de dirigir e também quero ajudar meu pai, que não quer mais dirigir”

disse Lucas, em entrevista à Ric RECORD.

A confiança na autoescola vinha de anos. Leila fez aulas no local há 13 anos e, como teve uma boa experiência, decidiu pagar o curso para a filha.

“Mandamos mensagem para marcar a prova teórica dela e recebemos apenas uma resposta automática, a mesma que está no aviso da porta. Não tivemos retorno. Aí os próprios alunos começaram a conversar entre si e entenderam que a autoescola estava fechada e que não íamos ter retorno”

relatou Leila.

Além dos alunos, funcionários também relatam prejuízos. Ricardo, que trabalhou como instrutor por 16 anos na autoescola, afirma que não recebeu FGTS, 13º salário, férias e nem o último pagamento.

“Ele [proprietário] chegou a fazer reunião dizendo que era só uma fase, que ia passar. Depois disso, parou de responder, bloqueou todo mundo e disse que só falaria judicialmente”

afirmou o instrutor.

O que diz o dono da autoescola

Procurado pela reportagem da Ric RECORD, o proprietário da autoescola enviou uma mensagem informando que, no momento, não está concedendo entrevistas. Segundo ele, “toda a situação está sendo organizada com apoio contábil e jurídico adequado e qualquer manifestação pública será feita de forma oficial”.

A Banda B tenta contato com o Detran-PR para saber quais orientações serão dadas aos alunos afetados. Caso haja retorno, a reportagem será atualizada.