Por Denise Mello

Osmar Dias no lançamento do partido Podemos ao lado de Álvaro Dias – Foto: Divulgação

O ex-senador e pré-candidato ao governo do Paraná , Osmar Dias (PDT), disse em entrevista à Banda B na manhã desta sexta-feira (4), que vai disputar o governo do Paraná em 2018 no partido que lhe der total liberdade para apoiar o irmão, Álvaro Dias (Podemos), pré-candidato à Presidência da República. Por isso, Osmar não descarta a possibilidade de deixar o PDT, partido que tem a possibilidade de lançar Ciro Gomes (PDT-CE) para ocupar o cargo máximo do país. “Tenho uma posição muito clara em relação ao partido pelo qual irei disputar o governo do Paraná no ano que vem. Tenho que ter liberdade total para apoiar meu irmão Álvaro na disputa pela Presidência da República. Não existe a possibilidade de apoiar outro, a não ser Álvaro. Tenho este compromisso moral e a questão familiar é superior a tudo. Não admito outra hipótese”, afirmou Osmar Dias.

Osmar afirma que já deixou claro isso no PDT e confirma que há sim a possibilidade de deixar o partido. “Fico num dilema em relação a esta questão partidária. Com o PDT mantendo a candidatura de Ciro não haveria nenhuma chance de apoiá-lo, inclusive disse isso pessoalmente ao próprio Ciro dias atrás, que não o apoiarei sendo Álvaro candidato”, afirmou.

O ex-senador recebeu oficialmente convites do PSB e do partido do irmão, o Podemos, recém-lançado, e não descarta nenhum dos dois. “Estou no PDT, mas tenho dois convites. Hoje mesmo conversei com o deputado Romanelli, que refez o convite para ingressar no PSB, partido que tem história, estrutura e me anima. Além do convite do Podemos feito pelo Álvaro. Temos aí na frente a reforma política que deve sair até o dia 30 de setembro, por isso vamos aguardar e tomar uma decisão depois disso”, disse o pedetista.

Osmar Dias está rodando o estado em busca de apoios e também apresentando suas propostas para governar o Paraná a partir de 2019. “Neste momento estou mais preocupado em oferecer um plano de governo modernizador ao Paraná. Muitas pessoas confundem o novo com a idade das pessoas, mas digo que agora é muito mais importante a experiência para colocar em prática neste momento um projeto de governo que possa resgatar a economia do estado”.

Sobre os ajustes ficais que o governador Beto Richa (PSDB) vem promovendo, Dias fez críticas. “ É preciso equilibrar as contas, mas olhado para as duas colunas de receitas e despesas. É o quarto ajuste que este governo faz desde 2014 e ninguém agüenta mais esta alta carga tributária. Estava conversando com um empresário do Paraná que fabrica vinhos e ele me disse que muitas empresas estão migrando para Santa Catarina e Rio grande do Sul diante da carga de impostos alta demais aqui. Isso não pode ser feito assim”.

Denúncia Temer

Osmar Dias também falou sobre a decisão da Câmara Federal de barrar a investigação contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva no Supremo Tribunal Federal (STF). Crítico à decisão, Osmar diz que houve dois pesos e duas medidas em relação a esta votação e aquela que tirou Dilma Rousseff do cargo. “A Câmara usou critérios diferentes para votar no caso de Dilma e agora de temer. Foram dois pesos e duas medidas. Não que esteja defendendo a Dilma, o que quero dizer é que nome deste tratamento diferenciado e em nome de favores prestados pelo governo temer aos deputados, o tratamento é completamente desigual. É preciso rever o sistema político brasileiro que leva a todos estes desmandos”.