As mulheres conseguiram o direito ao voto há 94 anos atrás, em 24 de fevereiro 1932. A vitória foi conquistada depois de mais de 50 anos de mobilização e luta dos movimentos feministas, que já reivindicavam o direito no final do século XIX, antes mesmo da proclamação da República. Atualmente, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as últimas Eleições Municipais, as mulheres dominam os pleitos eleitorais.

Em 2024, mais da metade do eleitorado brasileiro foi composto por mulheres (52,47%). Além disso, quanto à distribuição geográfica, em 6 a cada 10 dos municípios brasileiros, as mulheres são maioria entre os votantes. Mas nem sempre foi assim.
Para a deputada estadual Mabel Canto (PP), os direitos políticos femininos representam desevolvimento de políticas públicas.
“É através da nossa presença, da nossa representatividade, que a gente tem conseguido avanços significativos em prol das mulheres e também das pessoas que são consideradas vulneráveis como as crianças e os idosos”
afirma a deputada estadual Mabel Canto, do PP.
Presença feminina na política
Mabel é uma das dez deputadas estaduais mulheres no Paraná. Uma quantidade pequena quando comparada ao total da Assembleia Legislativa: 54 deputados. A porcentagem do Estado acompanha a média nacional. No Brasil, penas 18,1% da Câmara dos Deputados é composta por mulheres, ou seja, 93 parlamentares. No Senado, elas são 19,8%, somando apenas 16 mulheres.
Para Mabel, a baixa representatividade política feminina impacta diretamente a produção de leis e políticas públicas inclusivas.
“Quanto mais mulheres na política, mais políticas públicas em prol da população são feitas […]. Só eu, enquanto deputada, já provei 20 leis em prol das mulheres aqui no estado do Paraná. Então, há uma mudança sim. Mas, é preciso dizer também que as mulheres também devem estar no espaço político pra liderar e debater outras áreas como, por exemplo, orçamento público, pois para essas políticas virarem realidade é necessário orçamento”
comenta a deputada.

No ano de 2025, a União Interparlamentar (UIP) e a ONU Mulheres publicaram o mapa “Mulheres na política: 2025”, que mostra que os homens ocupam três vezes mais posições executivas e legislativas que mulheres em todo o mundo. O Brasil é um caso ainda mais crítico. O país ocupa a 133ª colocação no ranking global de representação parlamentar de mulheres.
Mabel defende que para um avanço neste cenário, é necessária uma mudança cultural: “Tanto as mulheres quanto os homens precisam enxergar que a mulher pode ocupar esse espaço na política, que ela é tão competente quanto os homens”, defende a deputada.
“Com a presença da mulher, mesmo que baixa ainda, já se vê mudanças significativas acontecendo. E as mulheres que estão nesses espaços de liderança precisam entender e colocar na prática que elas são exemplos para as novas gerações, para termos mais meninas, jovens, na política”.
Conquista do voto feminino
A conquista do voto feminino se concretizou após intensa campanha nacional durante o governo de Getúlio Vargas. O voto secreto foi introduzido no Código Eleitoral Provisório de 1932, que estabelecia que era eleitor “o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo”, alistado conforme determinava a lei.

Somente em maio de 1933, na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, a mulher brasileira pode, pela primeira vez, exercer o direito de votar e ser votada em âmbito nacional. Naquele ano, a médica paulista Carlota Pereira de Queirós foi a primeira mulher a ser eleita deputada federal da América Latina. Ela também foi a única mulher eleita para compor a Assembleia Nacional Constituinte de 1934.
Batalha é muito anterior
A discussão sobre o voto feminino no Brasil data do final do século XIX. Foram registradas tentativas de alistamento de mulheres para votação na época, mas todas foram negadas. Durante a Constituinte de 1890, a discussão foi intensa, mas todas as propostas de incluir o sufrágio feminino na nova Constituição foram derrotadas, com a justificativa de que com ele, seria decretado o fim da “família brasileira”.
O primeiro país a garantir o direito de votar às mulheres foi a Nova Zelândia, em 1893. O Brasil demorou quase 40 anos para fazer o mesmo, mas o fez antes de países como França, onde o sufrágio feminino só aconteceu em 1944, e Suíça, onde as mulheres esperaram até 1971 para votar.