“Não era para estarmos passando por esta situação em que, se nada for feito, não teremos dinheiro para pagar a aposentadoria dos brasileiros. Em 1998, se a proposta de idade mínima  feita pelo meu pai tivesse sido aprovada, tudo hoje seria diferente. Por um voto errado tudo foi posto a perder”.

A conclusão é do deputado federal Stephanes Jr (PSD-PR) que, em entrevista ao Jornal da Banda B nesta quarta-feira (22), relembrou um erro histórico que marcou a Previdência Social no Brasil.

Deputado federal Stephanes Jr (PSD) – Foto: Sandro Nascimento/Alep

Há duas décadas, numa sessão da Câmara Federal comandada pelo então presidente da Casa, Michel Temer (PMDB), foi colocada em votação a proposta do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), elaborada pelo pai de Stephanes Jr, à época ministro da Previdência, de idade mínima 55 anos para mulheres e 60 para homens. O governo FHC precisava de 308 votos, mas conseguiu apenas 307. Tudo porque o ministro do Planejamento, Antonio Kandir (PSDB-SP), mesmo reassumindo a cadeira na Câmara só para votar, apertou o botão errado. Com um voto a menos que o necessário, a idade mínima não foi aprovada e tudo ficou como estava.

Para Stephanes Jr, um dos cinco deputados paranaenses que integram a Comissão Especial da Previdência, não há mais como errar ou adiar esta reforma. “É uma questão de justiça e de sobrevivência. Não é possível continuar bancando aposentadorias de pessoas aos 50 anos. Não tem mais dinheiro pra nada. Se a reforma não for feita corremos o risco de deixar de pagar os benefícios já concedidos em poucos anos. Voto a favor da reforma com algumas pequenas alterações que devem ser feitas”, disse.

O deputado acredita que há consenso para mudanças na proposta original do governo Bolsonaro como a manutenção da aposentadoria do trabalhador rural aos 15 anos de tempo no campo, a manutenção do Benefício de Prestação Continuada (BPC) pago a pessoas com deficiência e idosos que não têm condições de se manter nos moldes de hoje, além do abono salarial também para aposentados que recebem o piso regional, como é o caso do Paraná.

Queda de braço

Questionado sobre a posição do PSD, um dos partidos do chamado “Centrão”, na relação como governo Bolsonaro, Stephanes Jr diz que não há queda de braço. “Não há nada disso. Esta queda de braço é mais coisa da mídia contrariada por Bolsonaro, tanto é que os quatro deputados do meu partido votam a favor da reforma e de outros textos do governo, como as Medidas Provisórias”, afirmou o deputado do PSD.

O deputado Stephanes Junior foi o segundo entrevistado pela Rádio Banda B na série com os cinco representantes do Paraná na Comissão Especial da Previdência.  O primeiro entrevistado foi o deputado Filipe Barros (PSL).

Ao longo da semana a Banda B irá ouvir também Felipe Francischini (PSL), Paulo Martins (PSC) ) e Gleisi Hoffmann (PT).

Ouça

Ouça a entrevista de Stephanes Jr no Jornal da Banda B para Paulo Sérgio Debski e Denise Mello: