A vereadora de Curitiba Fabiane Rosa (PSD), que ficou duas semanas presa na Penitenciária Feminina do Paraná, localizada em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, publicou nas redes sociais nesta sexta-feira (14) um foto com a legenda: “Suspeita de Covid-19”. Em prisão domiciliar em razão da suspeita de ter se apropriado de parte dos salários dos seus servidores, a chamada “rachadinha”, Fabiane não dá detalhes da possível contaminação e nem apresenta algum resultado de exame, apenas diz que está com a imunidade baixa e que havia poucos cuidados dentro do presídio.

Postagem da vereadora Fabiane Rosa nas redes sociais

“Tenho passado os piores dias da minha vida emagreci 8 quilos e estou com a imunidade baixa, desde quarta feira tenho tido alguns sintomas dado aos poucos cuidados que na penitenciária se tinha, a ponto de chegar a servir pães com as mãos, sem proteção de luvas e sem higienização. Algumas internas já estavam com o vírus conforme foi noticiado por alguns veículos de comunicação”, diz em postagem no Facebook.

Ao menos três detentas da Penitenciária de Piraquara foram confirmadas com Covid-19, segundo informou o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) na terça-feira (11).

Nas redes nesta sexta-feira, a vereadora diz que nunca foi tão humilhada.

“Nunca fui tão humilhada em toda minha vida, me algemaram meus pés e mãos mesmo oferecer risco algum, contrariando a súmula vinculante 11 do STF, tentaram me calar, tentaram me matar, tentaram usar de manobras para que eu não pudesse confirmar minha candidatura, tudo isso pelas minhas costas, sem a mínima chance de defesa, mas acredito no nosso Tribunal do Paraná que é justo e não vai cair nessa armação montada contra mim, as pessoas já entenderam tudo, a imprensa já acha estranha a situação, a OAB já se manifestou sobre a prisão e da forma como foi feito tudo, e vocês meus apoiadores precisaram apenas olhar nos meus olhos para saber de toda a verdade.  Agora vou me cuidar, manter o isolamento que já faço, será um período de encubação e fortalecimento porque a batalha ao lado de todos será árdua, porém vitoriosa“, afirma.

Postagem de Fabiane em foto com o filho nas redes sociais

Postagem com o filho

Em outro post, a vereadora coloca o vídeo com o momento do reencontro com o filho de 4 anos e diz que é vítima de perseguição.

“Esse vídeo é a prova de um recomeço, um recomeço que será grandioso, tentaram me amordaçar para que nesses 16 dias, mas outras vozes falaram por mim, aliás muitas vozes falaram por mim e por eles. É muito fácil julgar é muito fácil deturpar e distorcer, mas quero deixar aqui uma passagem bíblia: “A árvore é julgada por seus frutos.” E hoje os frutos estão sendo colhidos por um trabalho intenso e incansável de mais de 10 anos de Proteção animal e 3 anos e 8 meses de luta parlamentar em favor deles. Nunca houve tanto avanço, nunca houve tanto brilho e eles hoje tem voz, não apenas a minha voz, mas a voz de muitos”, completa.

O caso

A Justiça concedeu prisão domiciliar para a vereadora de Curitiba Fabiane Rosa (PSD),  no dia 12 de agosto. Ela estava presa desde o dia 27 de julho em razão de uma investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público (MP). Os indícios apontam que a parlamentar é suspeita de um esquema de rachadinha – quando o político recebe parte do salário do seus funcionários comissionados.

A principal justificativa para a decisão foi o fato da vereadora ter um filho de quatro anos que depende dos cuidados dela.  “Decisão acertada do Tribunal de Justiça (TJ), com um olhar atento para mulheres em condições especiais. A vereadora Fabiane Rosa tem um filho de apenas quatro anos e sua presença é imprescindível para o cuidado dele. A prisão era para a colheita probatória, o que aconteceu, então ficou desnecessária mantê-la”, disse o  advogado Jeffrey Chiquini, que representa a parlamentar.

A vereadora pagou fiança de dez salários mínimos nacionais (R$ 10.450) e deve comparecer mensalmente em juízo. Ela ainda está proibida de manter contato com pessoas relacionadas à investigação e não pode deixar Curitiba sem autorização judicial.

A corregedoria da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) abriu uma investigação para apurar denúncias contra a vereadora.