Foto: SMCS

 

Integrante da base do prefeito Rafael Greca (PMN) na Câmara Municipal, o vereador Rogério Campos (PSC) criticou o projeto que pode extinguir a profissão de cobrador de ônibus em Curitiba. Em entrevista à Banda B nesta terça-feira (30), ele disse que o projeto é bastante “indigesto” e questionou o ponto que cita a segurança pública: “Alguns vereadores chegaram a dar risada com a questão dos assaltos. Se vamos tirar o dinheiro de circulação no transporte coletivo, podemos perguntar: mas e os arrastões, que são a modalidade que acontecem hoje?”

O projeto encaminhado à Câmara Municipal prevê a implantação da bilhetagem eletrônica em toda a cidade, assim como atualmente já acontece nos micro-ônibus, onde não há cobrador. O objetivo da Prefeitura de Curitiba é a alteração da lei municipal 10.133/2001, que regulamenta a exigência de cobradores nas estações-tubo, terminais de transporte e no interior dos ônibus.

Na justificativa, o prefeito Rafael Greca diz que a alteração é para “trazer maior agilidade ao transporte público”. Outro ponto citado são os constantes assaltos nos ônibus. “Os dados demonstram que os cobradores são alvo de roubos e violência, bem como o patrimônio público acaba sendo objeto de vandalismo e depredações”, diz a proposta, concluindo que a alteração reduziu em mais de 90% dos assaltos em coletivos.

Para Campos, que já foi integrante da diretoria do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc), a Câmara não pode aceitar um projeto que coloca em risco empregos em um momento como o atual. “Eu já declarei que vou votar contra e trabalhar para que ele não seja aprovado. Com essa justificativa da segurança pública, eles vão ter que tirar também os passageiros futuramente. Os gestores do transporte coletivo não estão percebendo o que estão fazendo, estão matando a galinha dos ovos de ouro deles”, concluiu.

Temor

A cobradora Adriana Oman, que há seis anos trabalha no transporte coletivo disse acreditar que o projeto cria um problema na cidade. “A nossa cidade é tão visitada por turistas, imagina o desespero dessas pessoas sem cartão. Nós auxiliamos muito os motoristas, então acredito que não vai vingar”, comentou.

Para o motorista Elias Bonfim, a ausência do cobrador faria muita falta. “Ele tem muitas funções dentro do ônibus. Auxilia no embarque, no desembarque, no apoio para pessoas especiais, então é algo que precisamos nos coletivos”, disse.

À Banda B nesta segunda, o Sindimoc informou que até 6 mil empregos poderiam ser perdidos com a medida. Por sua vez, a prefeitura fala em modernização para uma dupla finalidade: colaborar com medidas de sustentabilidade financeira do transporte público para manter a tarifa num patamar equilibrado e aumentar a segurança.