Aos 51 anos de idade, o delegado Maurício Leite Valeixo, futuro diretor-geral da Polícia Federal (PF), é uma especialista em combate ao narcotráfico internacional e em ações de inteligência policial. Com mais de 20 anos de corporação, o escolhido pelo futuro ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro atuou nos dois maiores casos da carreira do ex-magistrado, a Operação Banestado e a Operação Lava Jato.

Superintendente da Polícia Federal no Paraná, Valeixo assumirá o comando da corporação em Brasília no próximo governo, anunciou ontem Moro. Os dois têm em comum as raízes paranaenses.

Mauricio Valeixo terá missões específicas na direção-geral. (Foto: Joel-Cerizza-AE Notícias)

Natural de Mandaguaçu, cidade de cerca de 20 mil habitantes na região de Maringá, Valeixo é um dos três filhos do desembargador do Tribunal de Justiça do Estado Octávio Jorge de Cesar Valeixo (que morreu em 2003, aos 68 anos de idade).

Ex-chefe da Inteligência da PF, ex-diretor de combate à corrupção e duas vezes superintendente da PF no Paraná, Valeixo é considerado um quadro técnico, mas com fortes ligações com o ex-diretor-geral Leandro Daiello – que comandou a corporação por 6 anos nos governos da ex-presidente Dilma Rousseff.

Sob o comando de Daiello, Valeixo foi o número 3 na hierarquia da corporação, como diretor da Diretoria de Combate do Crime Organizado (Dicor), área considerada chave para a gestão de Moro no governo Bolsonaro. Permaneceu no cargo entre 2015 até o fim de 2017.

O futuro diretor-geral assumirá o posto com a missão de fortalecer a PF, com foco no combate à corrupção e ao crime organizado, livrá-la de ingerências políticas e com autonomia para investigar quem quer que seja.

“A Polícia Federal não está para atender ao governo, ela está para atender o Estado brasileiro, para atender a sociedade brasileira”, afirmou Valeixo, em palestra dada em março deste ano, em Curitiba. O delegado defendia a necessidade de instituições “fortes, independentes e republicanas” ao explanar sobre o papel da PF.

Passado. Formado em Direito pela PUC do Paraná, a relação de Valeixo com o ex-juiz da Lava Jato é antiga. Em 2003, era ele que comandava o inquérito da força-tarefa do Caso Banestado, primeiro grande trabalho das recém-criadas varas especializadas de lavagem de dinheiro no País – uma delas a de Curitiba, comandada por Moro.

Em 2009 assumiu a Superintendência da PF no Paraná pela primeira vez, cargo que ocupou até 2011, quando foi levado para Brasília para ser diretor-geral de Pessoal. Passando em seguida para diretor de Inteligência.

Em 2013, Valeixo foi para os Estados Unidos como adido policial em Washington. No retorno ao Brasil, em 2015, assumiu o posto de Diretor de Combate ao Crime Organizado (Dicor) – ano de início da Lava Jato.

No início deste ano, Valeixo assumiu pela segunda vez o posto de superintendente no Paraná no início após a saída de Rosalvo Ferreira Franco, delegado que acompanhou a Lava Jato desde o início, em março de 2014, e que também fará parte da gestão de Moro no ministério – ele já integra a equipe de transição. Durante sua gestão, foi fechada a delação premiada do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e executada a prisão do ex-presidente Lula, em abril.

Foi Valeixo quem decidiu seguir as ordens de Moro em 8 de julho, que contrariam despacho do desembargador plantonista do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) – a segunda instância da Lava Jato – Rogério Favreto para soltar Lula. go, Favreto expediu duas decisões que foram posteriormente derrubadas pelo presidente da Corte, Thompson Flores, e pelo relator da Lava Jato, João Pedro Gebran Neto. O caso está sob investigação em inquérito que chegou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Valeixo foi delegado da Polícia Civil, integrou o Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), ante de entrar para a PF.