Da Redação com CMC

Um pedido do vereador Chico do Uberaba (PMN), para que seja votado em plenário o título de cidadão honorário de Curitiba ao juiz federal Sérgio Moro, provocou debates entre os parlamentares sobre a política brasileira atual. Desde junho de 2015, após passar pelas comissões de Legislação e Educação, a homenagem a Moro está apta a ser votado na Câmara Municipal.

O juiz federal Sérgio Moro participa de apresentação de um conjunto de medidas contra a impunidade e pela efetividade da Justiça, na sede Associação dos Juízes Federais do Brasil (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)Foto: Agência Brasil

“Já passou da hora de essa homenagem vir ao plenário. Olha a situação que o país está passando e a pressão que este homem está sofrendo. Qual a moral que a Dilma e o Lula têm para desqualificar a Lava Jato?”, atacou o parlamentar. Aos gritos, Chico reclamou de interferência do líder do prefeito, Paulo Salamuni (PV), na elaboração da pauta de votações – que seria uma competência da presidência da Câmara.

Ailton Araujo (PSC), presidente da Casa, respondeu ser de responsabilidade dele a elaboração da pauta de votações, sem se manifestar sobre o caso da cidadania honorária a Moro. Salamuni admitiu discutir a pauta – “eu ajudo”, disse -, por conta dos projetos do Executivo, e disse ter sabido da pendência na véspera, quando Chico do Uberaba também cobrou a votação da cidadania honorária no plenário. Jorge Bernardi (Rede) adiantou que proporá uma mudança no regimento interno, “para tirar dos ombros [da presidência] essa responsabilidade”. “Devia ser o colégio de líderes”, sugeriu.

Debate

Em um dos extremos do debate, Chico do Uberaba misturou na sua requisição críticas ao Partido dos Trabalhadores, que foram retomadas pelo Professor Galdino (PSDB). “O PT se isola. O império vermelho está ruindo, está desmoronando”, disse. “A [presidente] Dilma faz um esforço para evitar a demissão do Mercadante do Ministério da Educação, pois a Lava Jato poderia prendê-lo”, criticou Galdino, repetindo que “o Poder é efêmero”.

“Não podemos nos desrespeitar”, rebateu Josete. “As pessoas sobem à tribuna e fazem afirmações. Acusam e não provam. Isso só serve para se colocar na imprensa, mas acaba reforçando a desconstrução da política”, disse a parlamentar. Depois Pier Petruzziello (PTB) também criticou a mesma atitude, ambos em referência à declaração dada por Galdino aos taxistas sobre os vereadores, do lado de fora do plenário, que foi gravada e enviada à emissora.

“Temos um golpe em curso, que é midiático e judicial. A Ordem dos Advogados do Brasil nos entristece, e também defendeu o golpe militar em 1964. Hoje, às 19 horas, por sinal, haverá um ato no salão nobre do curso de direito da Universidade Federal do Paraná contra isso, em defesa da democracia”, disse Josete. “Nós temos que nos posicionar”, retrucou Petruzziello. “O juiz Sérgio Moro está certo 99% das vezes. Ele recuperou bilhões da corrupção, desmantelou o esquema”, defendeu.

Para Pier, o PT não pode falar em golpe. “Fico imaginando se isso tudo fosse com o PSDB, com o PTB”, comparou. “O Moro e o Dallagnol [membro do MPF que integra a força-tarefa da Lava Jato] estão dando transparência à investigação. O PT liderou o pedido de impeachment do Collor e agora sofre de amnésia. Falar em golpe? Meu Deus. É por isso que tem impeachment na Constituição Federal. Impedimento se dá quando não há mais governabilidade. Collor caiu por muito menos que isso”, encerrou Pier.

Uber

Antes disso, discursos inflamados foram ouvidos no plenário por causa do aplicativo Uber, que começou a funcionar em Curitiba na última semana. Com diversos taxistas acompanhando a sessão plenária, Chico do Uberaba pediu uma resposta mais ágil da Prefeitura de Curitiba ao Uber. “Esse aplicativo tumultua a vida de oito mil taxistas e o prefeito não faz nada de concreto. Não podemos compactuar com uma atividade irregular, com esse serviço pirata, que não tem regulamentação para funcionar na cidade”, atacou o parlamentar.

Chamando a Urbs de “inoperante” e “incompetente”, o vereador Chico do Uberaba disse que tem “compromisso com os taxistas”, pois o pai dele “foi taxista em Curitiba”. “Que a Urbs então libere as taxas, os impostos, as multas dos taxistas, pra que eles possam competir de igual para igual. Do jeito que está, ela só atrapalha esses profissionais que possuem vários anos de trabalho pela cidade”, disse o parlamentar. Um projeto dele e de Jairo Marcelino (PSD), que multa serviços como o Uber, está sob análise da Comissão de Serviço Público.