Redação com Estadão

Brasília – Presidente Michel Temer chega para jantar na casa do primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (Valter Campanato/Agência Brasil)

A Câmara dos Deputados deverá votar hoje (2) o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), contrário à admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer pelo suposto crime de corrupção passiva. O início da sessão está marcado para as 9h e os trabalhos devem se estender por todo o dia.

Ao que tudo indica, Temer se salvará da primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República. Há pouquíssima chance de reviravolta na sessão marcada para esta quarta . Mas as horas que antecederem a sessão da Câmara destinada à votação da denúncia contra o presidente serão usadas por deputados da base e da oposição para definir as últimas estratégias para a votação.

A discussão da denúncia só poderá ser iniciada quando estiverem presentes no plenário pelo menos 52 deputados. A votação só pode começar com a presença de 342 parlamentares. A votação será por chamada nominal, começando pelos deputados de um estado da Região Norte e, em seguida, os deputados de um estado da Região Sul.

Algumas restrições de acesso à Câmara foram estabelecidas para a sessão de hoje, entre elas a proibição da entrada de visitantes. O acesso só será permitido a deputados, ex-deputados, servidores credenciados e à imprensa credenciada para a cobertura das atividades da Câmara.

“Ingenuidade”

Na véspera da votação, o presidente Michel Temer participou de um jantar com deputados da base aliada na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), na noite desta terça-feira. Cercado pelos parlamentares, Temer discursou para os presentes em clima de desabafo. Ele admitiu “ingenuidade” no episódio envolvendo a gravação do empresário Joesley Batista, da JBS, a quem acusa de praticar “banditismo”.

“Não tem sido fácil essa luta”, disse antes de complementar. “Provocações que são feitas fruto, convenhamos, de um acidente e uma certa ingenuidade, mas fruto, fundamentalmente, de um banditismo muito negativo. Sou obrigado a dizer isso em voz alta e em letras garrafais para que as pessoas saibam com quem estamos lidando”, afirmou, em trecho vazado à reportagem do Broadcast Político.

Temer chegou ao local sob aplausos dos deputados depois de subir seis lances de escada. Isso porque, pouco antes, o elevador do prédio residencial parou de funcionar. Apesar do contratempo, ele elogiou o clima positivo na casa do vice-presidente da Câmara.

“Quando nós fizemos o que fazemos pelo País, estou falando de todos nós. Não governo sozinho, governo com todos vocês. Mas vamos dizer que talvez não haja quórum amanhã. Já me sinto feliz pelo carinho, pela amizade, pela fraternidade que encontrei durante todo o dia de ontem e hoje, especialmente aqui na casa do Fabinho”, disse.

O presidente ficou pouco mais de 30 minutos na residência do parlamentar e sorriu com as brincadeiras relacionadas ao deputado federal Wladimir Costa (SD-PA), que ganhou notoriedade nos últimos dias por, supostamente, ter feito uma tatuagem no ombro direito com o nome do presidente. Costa estava presente no jantar e, na saída, afirmou que os colegas aprovaram a “homenagem”. “Vários parlamentares disseram que irão procurar um tatuador para fazer homenagem parecida”, declarou.