Manifestações em frente ao Palácio do Planalto no domingo (3) – Foto: redes sociais

Um dos líderes do ato antidemocrático do último domingo, o militar reformado Wilton Lima, afirma que evitar a queda do presidente Jair Bolsonaro é mais importante que o risco de contaminação pela covid-19.

“Eu tenho medo, é uma doença séria. Mas se essas interferências nos Poderes continuarem, isso vai gerar uma interferência política muito grande e a gente não sabe para onde o País vai caminhar”, disse Lima. “Tem muita gente revoltada, desesperada, achando que o presidente vai cair.”

O militar reformado, que costuma transmitir diariamente declarações do presidente em frente ao Palácio da Alvorada em seu canal no YouTube, trabalhou na organização do ato com Renan Senna, ex-funcionário do Ministério dos Direitos Humanos. Senna é acusado de agredir uma enfermeira em ato de defesa do isolamento social e de colocar faixas com xingamentos na Embaixada da China.

O ato de domingo passado teve como bandeira a destituição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Lima, no entanto, nega que esses tenham sido os temas centrais da mobilização e diz que o objetivo foi “fazer a defesa da família Bolsonaro”.

“A família toda está sendo muito atacada, muito humilhada, principalmente porque querem retirar a força política que a família tem”, disse ele.

Outro organizador, o psicólogo Wagner Cunha costuma fazer protestos em frente ao STF. Em vídeos, ele pede o fechamento imediato do Judiciário. Segundo Lima, foi combinado que essas pautas não seriam mencionadas na manifestação de domingo. O contato das lideranças que organizam as mobilizações por todo o País contou com o apoio do segundo vice-presidente do partido Aliança pelo Brasil, o empresário Luís Felipe Belmonte.