Com um discurso bem mais cauteloso sobre o cenário de contaminação e mortes pela covid-19 no País, o ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu pela primeira vez que a adoção de medidas de fechamento total (lockdown) de cidades, com manutenção apenas de serviços essenciais, deve ser efetivada no País em determinados casos.

A declaração do ministro não só se contrapõe ao que defende e diz diariamente o presidente Jair Bolsonaro, que ainda ontem afirmou que a disseminação da doença estaria em queda e que as pessoas tinham de voltar ao trabalho, como também chancela os atos de governadores e prefeitos que já aderiram ao fechamento total em cidades como Belém (PA), São Luiz (MA) e Fortaleza (CE), entre outras.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

“Se você tiver situação onde há uma alta incidência da doença, uma infraestrutura baixa e vê a doença crescendo, você vai buscar um distanciamento cada vez maior. Isso é o extremo da gravidade da situação”, disse.

Teich reafirmou que cada local deve adotar a estratégia que for necessária, e não medidas generalizadas. “O lockdown vai ser importante nos lugares onde estiver muito difícil, com alta incidência, alta ocupação de leitos, muitos pacientes chegando, infraestrutura que não conseguiu se adaptar. Aí você vai ter situação em que realmente vai ter que se proteger as pessoas.”

O ministro chamou atenção para a necessidade de estabelecer regras que garantam que os serviços essenciais não parem, como saúde e alimentação. “Vai ter lugar em que o lockdown é necessário? Vai ter lugar em que eu vou poder pensar em flexibilização? Vai. O que eu preciso é que a gente pare de tratar disso de forma radical, até para que a gente tenha tranquilidade para implementar as medidas em cada lugar do País ”

Teich disse também que o ministério já concluiu sua “diretriz” para auxiliar municípios em tomada de decisão. Trata-se, na prática, de um modelo matemático com cinco níveis de situação, para que os gestores avaliem itens como incidência da doença, infraestrutura disponível, disponibilidade de recursos, ocupação de leitos, entre outros fatores, para que adote medidas restritivas ou não de isolamento social.