
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, na noite desta segunda-feira, 2, que sua atuação política continuará por meio de seus apoiadores, sob quaisquer circunstâncias. “Se eles não me deixarem de falar, falarei pela boca de vocês. Andarei com as pernas de vocês. Se meu coração parar de bater, baterá pelo coração de vocês”, declarou, em discurso durante ato público no Rio, a dois dias do julgamento de seu habeas corpus pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula fez elogios aos presidenciáveis Manuela D’Ávila (PCdoB), presente ao ato, e Guilherme Boulos (PSOL). “Isso aqui (a esquerda) não é uma seita, que todo mundo tem que pensar igual. Ter Manuela e Boulos como candidatos é um luxo.”
Dirigindo-se à família da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no dia 14 e também homenageada durante o ato, Lula afirmou que o pensamento da parlamentar seguirá vivo. “Eles pensam que matando a carne acabam com a pessoa. Mas não acabam com os sonhos e as ideias.”
O compositor Chico Buarque (que não discursou) e parlamentares de PT, PSOL, PSB, PDT, PCO e PCdoB participaram do ato no Circo Voador, chamado “Em defesa da democracia – Justiça para Marielle”. Cerca de 2 mil pessoas lotaram a casa de espetáculos.
“Eu não estou aqui pelo direito de ser candidato. O que eu quero é que eles parem de mentir a meu respeito, devolvam a minha inocência. Eu quero é que eles votem o mérito do meu processo. Não estou acima da lei, tenho que ser tratado como qualquer cidadão. Quero é que digam a verdade a meu respeito”, afirmou Lula.
Netflix
O ex-presidente criticou “O Mecanismo”, do diretor José Padilha, pelo fato de a série ter colocado o personagem inspirado nele falando a frase “é preciso estancar a sangria” – originalmente dita pelo senador Romero Jucá (MDB-RR) e captada em grampo autorizado pela Justiça.
“A TV Globo, embora seja o canal de maior audiência, não tem mais a mesma credibilidade. Agora eles fizeram um acordo com a Netflix, de contar uma mentira que a Globo não teve coragem de contar. Colocaram na minha boca o que o Jucá falou, colocaram o (doleiro Alberto) Youssef no comitê de campanha da (ex-presidente) Dilma (Rousseff), e outros que tais.” A série é “livremente inspirada” na Lava Jato, segundo Padilha, e por isso não segue à risca os fatos reais da operação.
Gleisi clama por união da esquerda
No evento, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), convocou os partidos de esquerda a se unirem em torno da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que poderá ser preso a partir da próxima quarta-feira, 4, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) irá deliberar sobre seu habeas corpus preventivo.
“A história vai nos cobrar por esse momento, pelo enfrentamento das forças do atraso. O que nos une é muito mais importante do que o que nos separa. Neste momento, temos que deixar de lado as nossas divergências, as nossas candidaturas”, disse a senadora.
“Temos que lutar pelo Brasil, pelo povo brasileiro, pela democracia, pela nossa Constituição. É isso que o povo espera de nós. Por isso a tarefa mais importante é que a gente forme uma grande ampla frente democrática e progressista”, afirmou Gleisi
Lula foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a 12 anos e um mês de prisão em janeiro, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá. A decisão ratificou a proferida pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba em julho do ano passado.
Agora, os ministros irão votar se a execução da pena passa a valer ainda que haja recursos pendentes no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou mesmo no STF.
