Uma perícia médica a respeito da saúde de Jair Bolsonaro (PL) indica que o ex-presidente necessita de cuidados especiais na Papudinha, onde cumpre pena, e apresenta risco de queda, mas sem necessidade de transferência para um hospital.

O laudo elaborado pela Polícia Federal (PF) a pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), conclui que Bolsonaro apresenta doenças crônicas sob controle e recomenda otimizar tratamentos e medidas preventivas por causa do risco de complicações.
Moraes pediu que a defesa do ex-presidente e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre a perícia.
A visita dos médicos a Bolsonaro na Papudinha, como é conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar em Brasília, localizado no complexo do presídio da Papuda, ocorreu no último dia 20 de janeiro. Eles entrevistaram e examinaram o ex-presidente, verificaram resultados de exames anteriores e inspecionaram as condições do local.
A principal queixa de Bolsonaro foi em relação às crises constantes de soluço. O laudo aponta ainda que há risco real de que o ex-presidente sofra nova queda, especialmente se não houver vigilância contínua. “[Bolsonaro] apresenta sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco potencial de novos episódios de queda, necessitando de investigação diagnóstica”, diz.
Bolsonaro sofeu uma queda e bateu a cabeça no início de janeiro, quando estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Depois disso e de uma conversa com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), Moraes determinou a transferência do ex-presidente para uma cela mais espaçosa, na Papudinha.
Os médicos da PF levantam a hipótese de que o uso combinado de certos medicamentos apresenta relação com o risco de queda.
O uso concomitante especialmente de medicamentos que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular cria, portanto, um cenário farmacológico de risco, no qual os possíveis efeitos adversos – sedação, letargia, tontura, lentificação psicomotora e hipotensão postural – apresentam relação com o risco de queda
afirma o laudo
Bolsonaro relatou aos médicos ter sensação de tontura ao mudar de posição e disse que, ao caminhar, precisa se manter concentrado para evitar desequilibrar ou precisa do apoio de outras pessoas.
Os médicos dizem que é “inegável a presença de comorbidades crônicas”, como hipertensão, obesidade clínica, refluxo e apneia [pausa na respiração] obstrutiva do sono grave.
O laudo recomenda uma maior investigação do quadro neurológico do ex-presidente. Enquanto isso, lista cuidados especiais como instalar grades de apoio nos corredores e no box de banho, instalar campainhas de emergência e equipamentos de monitoramento em tempo real na cela, seguir dieta prescrita por nutricionista, além de praticar atividade física e fisioterapia.
Atualmente, Bolsonaro tem uma campainha de emergência próxima à cama e barras de apoio também na lateral da cama e ao lado do vaso sanitário. Ele também faz fisioterapia e acupuntura.
Os médicos, porém, criticaram sua alimentação. Bolsonaro toma apenas o café da manhã servido na Papudinha, que tem pão com manteiga e achocolatado. As demais refeições são trazidas por familiares – Michelle costuma postar a preparação de marmitas para o marido, com recados escritos por ela na tampa.
O ex-presidente disse que as marmitas têm “arroz, feijão, uma proteína (carne ou frango) e salada de alface e tomate”.
Atualmente, o periciado [Bolsonaro] tem uma dieta pobre em frutas, verduras e hortaliças, além de consumir, com frequência, alimentos ultraprocessados e ricos em açúcares refinados, como biscoitos e bolos, além de não haver nenhum fármaco prescrito para o tratamento da obesidade
diz o laudo
O documento descreve ainda a rotina de Bolsonaro, que costuma ir dormir por volta de 22h, acordar em torno de 5h e se levantar às 8h. De manhã, o ex-presidente diz tomar banho, fazer a barba e ler livros. Durante a tarde, ele descansa 20 minutos depois do almoço, assiste a programas esportivos na TV e conversa com o policial de plantão. Suas caminhadas diárias ocorrem no fim da tarde.