Após o STF (Supremo Tribunal Federal) barrar a possibilidade de reeleição dos atuais presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), o Congresso brasileiro vai começar o ano mergulhado em disputas pelo comando das Casas.

A eleição para a presidência da Câmara promete atrair mais a atenção, pois a escolha do novo presidente pode significar uma mudança na relação com o Palácio do Planalto.

Após praticamente dois anos de conflitos, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prefere ver no cargo seu aliado Arthur Lira (PP-AL), representante do bloco do centrão. Lira vai enfrentar Baleia Rossi (MDB-SP), que lidera o bloco de Maia e deve contar com o apoio da oposição.

Ao contrário da Câmara, a eleição no Senado será mais um jogo interno de poder, sem alterar profundamente a relação da Casa com o Planalto. Está em jogo a tentativa do MDB de retomar um cargo que ocupou na maior parte da história recente.

Foto: EBC

O partido decidiu evitar as divisões que culminaram na derrota em 2019 e por isso decidiu lançar candidato único.

O principal adversário será Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o candidato de Alcolumbre e que conta com a anuência do Planalto.

O movimento suprapartidário Muda Senado também promete lançar candidato, mas enfrenta resistência para atrair votos além dos 21 membros –são necessários 41 para eleger o presidente da Casa.

Veja abaixo os nomes que estão nas disputas.

CANDIDATOS PARA A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Arthur Lira (PP-AL)
É a aposta do presidente Bolsonaro para tentar tirar do comando da Casa o grupo do seu desafeto Rodrigo Maia. Lira está em seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados, onde já presidiu a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). É líder do seu partido e também do bloco do centrão, que reúne partidos de centro e centro-direita e que se aproximou do governo após a liberação de cargos e emendas.

Baleia Rossi (MDB-SP)
Candidato escolhido para liderar o bloco articulado por Maia, é o presidente nacional do MDB e está em seu segundo mandato na Câmara. É próximo do ex-presidente Michel Temer e filho de Wagner Rossi, também político e que foi ministro da Agricultura nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Descreve sua candidatura como “independente do governo” para tentar atrair a esquerda.

COTADOS PARA DISPUTAR A PRESIDÊNCIA DO SENADO

Rodrigo Pacheco (DEM-MG)
Nome do atual presidente, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que o levou para um almoço com Bolsonaro –que não prometeu apoio, mas disse que não vai trabalhar por outra candidatura. Alcolumbre também vai viajar durante o recesso para impulsionar a candidatura de Pacheco, que está em seu primeiro mandato e é um dos vice-presidentes e líder do DEM. Também foi deputado federal por um mandato. Sua família é ligada a empresas de transporte rodoviário.

Eduardo Braga (MDB-AM)
O líder do MDB no Senado é um dos quatro pré-candidatos do partido para o comando da Casa. A sigla já anunciou que terá candidatura única. Braga está no Senado desde 2011, apenas saindo para ocupar o cargo de ministro das Minas e Energia durante a segunda presidência de Dilma. Antes, havia sido líder do governo petista na Casa. É considerado um político hábil e conciliador, próximo a Renan Calheiros (MDB-AL).

Eduardo Gomes (MDB-TO)
Atual líder do governo Bolsonaro no Congresso, Gomes está em seu primeiro mandato no Senado, após três na Câmara dos Deputados, onde chegou a ser primeiro-secretário. Tornou-se líder do governo após racha de Bolsonaro com seu antigo partido, o PSL. Mantém boa interlocução com a equipe econômica. Senadores, no entanto, afirmam que a proximidade com a articulação política do Planalto pode ser prejudicial para seus planos.

Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE)
Atual líder do governo no Senado, Bezerra foi eleito para seu primeiro mandato na Casa em 2014, após ter sido deputado federal, estadual e prefeito de Petrolina (PE). Também foi ministro da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff. Tem apoio dentro do partido e de alguns caciques, mas, assim como Gomes, pode enfrentar resistência por sua proximidade com o Planalto.

Simone Tebet (MDB-MS)
A atual presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) lança novamente sua candidatura, após o racha do partido nas eleições de 2019. Na ocasião, diante da insistência da bancada em lançar Renan, a filha do ex-presidente do Senado Ramez Tebet desistiu da candidatura e decidiu apoiar Alcolumbre. Busca compensar a resistência dentro do MDB com apoio externo, principalmente do PSD, da bancada feminina e de senadores independentes.

Major Olímpio (PSL-SP)
Um dos pré-candidatos do movimento suprapartidário Muda Senado, que promete anunciar sua escolha até 15 de janeiro. Está em seu primeiro mandato no Senado, após quatro anos na Câmara dos Deputados. Rompeu com o governo Bolsonaro, assim como parte de seu partido, e se tornou um dos principais críticos do presidente e de sua família.

Jorge Kajuru (Cidadania-GO)
Anunciou sua pré-candidatura para a presidência da Casa. Integrante do movimento Muda Senado, o jornalista e ex-apresentador de televisão se tornou um dos maiores críticos da falta de independência no Senado durante a gestão de Alcolumbre.

Álvaro Dias (Podemos-PR)
O ex-governador do Paraná busca novamente disputar o comando, após ter retirado sua candidatura no dia da eleição, em 2019. É o nome mais conhecido do Muda Senado, mas avalia-se que tem muita rejeição fora dele.

Mara Gabrilli (PSDB-SP)
É também apontada como uma das pré-candidatas do Muda Senado, contando com apoio da bancada feminina na Casa. Está em seu primeiro mandato, após passagem pela Câmara dos Deputados.

Alessandro Vieira (Cidadania-SE)
Também apontado como pré-candidato pelo Muda Senado. Senador em primeiro mandato, é o principal proponente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Lava Toga, para investigar a atuação do Judiciário, apesar de seus requerimentos terem sido arquivados.

Lasier Martins (Podemos-RS)
Também anunciou sua pré-candidatura para seus parceiros do Muda Senado. Está no Senado desde 2015. É também crítico da atuação do Judiciário e defende processos de impeachment de autoridades mais simplificados.

Otto Alencar (PSD-BA)
O PSD indica que não terá candidato à presidência do Senado, sendo alvo de disputas por apoio do MDB e do grupo de Alcolumbre. No entanto, senadores avaliam que a disputa política pode abrir margem para uma terceira via, que seria encabeçada pelo partido. O nome mais lembrado é de Antônio Anastasia (PSD-MG), que resiste à ideia. Por isso se menciona também Alencar, o ex-governador da Bahia que está no Senado desde 2015, considerado mais independente do Planalto e da gestão Alcolumbre.