Cerca de 20 dias após dois acusados de planejar o sequestro e morte do senador Sergio Moro serem assassinados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) na prisão, a deputada federal Rosangela Moro (União-PR) expôs, em entrevista à Banda B nesta sexta-feira (5), a apreensão da família em relação às ameaças da maior facção criminosa do Brasil. As declarações foram feitas durante entrevista ao vivo concedida aos jornalistas Denise Mello e Karlos Kohlbach, no Jornal da Banda B 1ª Edição.

Para a esposa do ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Segurança Sergio Moro, o custo da exposição na política “é muito alto”. Embora tenha ingressado recentemente na vida política, há cerca de dois anos ao ser eleita com 217.170 votos para a Câmara dos Deputados, Rosangela Moro diz enxergar a exposição e a necessidade de se posicionar como uma “obrigação”.

“Antes, era uma exposição que eu não buscava porque eu era a esposa do juiz da Lava Jato. Com relação aos filhos, sempre tentamos poupá-los e hoje eles são adultos e tomam suas próprias decisões. Eu me guardava o direito de não me expor e me posicionar muito. Agora, na política, é nossa obrigação mostrar a que viemos”, disse a 18ª parlamentar mais votada no estado de São Paulo.

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A deputada federal Rosangela Moro – Foto: Divulgação

Sobre o plano do PCC em sequestrar e matar Sergio Moro e sua família, Rosangela classificou o esquema da facção como “assustador”. A organização investiu cerca de R$ 3 milhões para construir uma estrutura na região metropolitana de Curitiba e colocar em prática o atentado. Após perseguir membros da família Moro, a ideia era cometer o crime no segundo semestre de 2022, e a filha do agora senador seria um “plano B” da facção.

O plano da maior facção do País se deu pela atuação de Sergio Moro frente ao Ministério da Justiça durante o governo Jair Bolsonaro (PL), quando decidiu pela transferência e isolamento de vários chefes do PCC no sistema penitenciário federal, entre eles o Marcola.

“O custo [de lidar com a política] é muito alto. Antes da Lava Jato, Sergio Moro era juiz criminal e já condenou pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. Lá, a gente já teve alguma proteção, quando nossos filhos eram muito pequenos. Com a Lava Jato, nossa vida foi escancarada. O momento mais assustador foi o do PCC, que se deve a atuação dele como ministro da Justiça porque isolou os líderes de facções criminosas e dificultou o trabalho dos traficantes”, afirmou à Banda B.

A troca de domicílio eleitoral e o futuro na política

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) rejeitou, no último dia 26, a ação apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra Rosangela Moro, na qual a legenda a acusava de fraude por ter transferido seu domicílio eleitoral de São Paulo para Curitiba – onde vive com a família atualmente.

À Banda B, Rosangela disse que estava “confiante” em relação ao resultado do julgamento e que o PT estava “esperneando”. “Eu mudei meu domicílio porque meu marido, depois de eleito pelo Paraná, e meus filhos estavam aqui. Eu sou natural de Curitiba e, neste momento, faz mais sentido estar aqui. Meu trabalho em São Paulo não mudou nem vai mudar”, disse ela.

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A deputada federal Rosangela Moro ao lado do marido e senador Sergio Moro – Foto: Divulgação

Para a esposa do senador Sergio Moro, o PT é o “maior inimigo” a ser enfrentado nos próximos anos. Questionada pelos jornalistas Denise Mello e Karlos Kohlbach sobre quais são os planos para 2026, uma vez que se especula a possibilidade de se candidatar pelo Paraná, Rosangela se limitou a dizer que não ainda não há planos para os próximos passos.

“Eu ainda não estou pensando em 2026 porque não completei dois anos de mandato. Estou focada nas pautas em que estou trabalhando em Brasília. 2026 ainda não está no meu radar.”

deputada federal Rosangela Moro (União-PR) .

Sobre Sergio Moro, por outro lado, Rosangela não deixou claro se o marido deverá se candidatar ao cargo de governador do Paraná. Segundo a deputada, o senador segue focado no mandato no Congresso Nacional. “Acredito que tem muita água para rolar. É nato do Sergio Moro trabalhar com a coisa pública, a licitude. Eu não posso dizer que sim [disputar o Governo do Paraná], mas também não posso descartar”, afirmou.

O nome da deputada federal foi exposto como uma possível opção na disputa pela Prefeitura de Curitiba, segundo apontaram pesquisas eleitorais. Mesmo diante da recente mudança de domicílio eleitoral, contudo, ela garantiu que não deverá concorrer a administração municipal. O União Brasil lançou, em abril, a pré-candidatura de Ney Leprevost a prefeito de Curitiba.

“Vamos seguir a decisão do partido e naturalmente apoiar o Ney Leprevost. Eu quero muito terminar os projetos que comecei na Câmara dos Deputados. A Prefeitura de Curitiba não está no meu radar”, afirmou.

Assista à entrevista completa

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Rosangela Moro fala sobre ameaças do PCC e destaca ‘peso’ da exposição na política: ‘Custo muito alto’

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