Foto: Rogério Machado/SECS

Beto Richa (PSD), ex-governador do Paraná, não respondeu a nenhuma pergunta feita pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organização (Gaeco), do Ministério Público do Paraná. Ele entrou na sala cerca de 20 minutos antes do início e preferiu ficar calado.

Ao lado da esposa Fernanda Richa e do irmão Pepe Richa, o tucano está preso desde terça-feira (11). Outros 12 investigados foram detidos pelo envolvimento em um esquema para superfaturar contratos de manutenção de estradas rurais, visando o pagamento de propina para agentes públicos.

Nova prisão

À imprensa, o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, afirmou que um novo pedido de prisão pode acontecer ainda hoje. “Nós temos que motivar um novo pedido, para que isso seja avaliado. Vamos analisar ainda os depoimentos e para decidir qual é o próximo passo. Talvez na tarde hoje ou amanhã ou até mesmo nem acontecer um novo pedido”, explicou.

Último a se entregar

O empresário Joel Malucelli se apresentou ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em Curitiba, por volta das 9 horas desta sexta-feira (14). Ele é o último dos acusados com mandado de prisão a se apresentar dentro da Operação Rádio Patrulha, que prendeu o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB). A informação é que Malucelli estava na Itália. A defesa tentou habeas corpus para derrubar o mandado, mas a Justiça negou. Ontem, o ex-secretário de Assuntos Estratégicos do Governo do Paraná Edson Casagrande, que era considerado foragido, se entregou.

Em nota, a defesa de Casagrande disse que considera a prisão temporária desnecessária e ilegal, já que desde 2011 ele nunca foi intimado a prestar esclarecimento. “Edson Luiz Casagrande nega a prática de qualquer crime e está à disposição para dirimir todas as falsas acusações que lhe são direcionadas”, informou.

Em nota, Joel Malucelli disse que “as acusações são injustas, que nega qualquer irregularidade e que sempre esteve à disposição das autoridades para esclarecimentos”. “O empresário desde 2012 se desligou das atividades e rotinas da empresa fundada por ele e se encontra na presente data em férias, fora do país, aguardando orientação de seus advogados, que ainda não foram notificados oficialmente sobre a operação. Fundamental reafirmar que a JMalucelli Equipamentos já se manifestou nesta terça-feira (11) negando, veementemente, a participação em qualquer irregularidade e informou que não firmou qualquer contrato com o Governo do Paraná relacionado às Patrulhas Rurais.”

Em nota, Richa disse que enfrenta com serenidade e confiança qualquer acusação. “Mas devo dizer que eu e minha família estamos sofrendo muito com a injusta condenação que nos está sendo imposta. Sou um homem público há mais de duas décadas, com a mesma honradez. Tenho a consciência em paz e sei que, no devido tempo, a verdade sempre se impõe. Garanto a você, que me conhece e para quem exerço com responsabilidade a vocação que Deus me deu: nada devo e sigo confiando na justiça”, descreveu.