A defesa do ex-policial penal Jorge Guaranho pediu a revogação da prisão preventiva dele nesta sexta-feira (5) – horas após ele cair durante o banho na cela e fraturar o braço esquerdo. Acusado de matar a tiros o tesoureiro do PT Marcelo Arruda, Guaranho foi internado na sexta-feira (5) e retornou no mesmo dia para a Cadeia Pública Laudemir Neves, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.

Em nota, a defesa do ex-agente federal disse que “se viu obrigada” a pedir a revogação da prisão por falta condições de segurança médica na prisão. O advogado Anderson André Miranda afirmou que o réu sofreu a queda poucas horas após deixar o plenário do Tribunal do Júri, onde seria julgado. O júri do ex-policial foi suspenso na quinta (4), após a defesa abandonar o júri.

Defesa pede revogação da prisão de acusado de matar tesoureiro do PT após queda seguida de fratura no braço
Jorge Guaranho internado no Hospital Municipal de Foz do Iguaçu após fraturar o braço – Foto: Arquivo pessoal

“Poucas horas após deixar o plenário e ter sido deslocado para a Cadeia Pública, a qual não possui condições de assegurar a dignidade e o tratamento médico ao Jorge Garanho, ele acabou por sofrer uma queda durante o banho e fraturou o braço esquerdo. Ele ficou 12 horas sem atendimento médico, sendo levado para o hospital somente às 14h do dia 5”, disse Miranda à Banda B.

A defesa alega que o quadro de saúde de Jorge Guaranho já era debilitado em razão das agressões sofridas por ele no dia do crime. “[A situação] foi agravada por culpa exclusiva do estado do Paraná em não prover condições adequadas”, dizem os advogados.

‘Motivação política’

O Ministério Público do Paraná (MPPR) sustenta que o assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda, em sua própria festa de 50 anos, em 2022, aconteceu por motivação política. O crime ocorreu meses antes das eleições presidenciais, e Jorge Guaranho apoiava o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro.

Defesa pede revogação da prisão de acusado de matar tesoureiro do PT após queda seguida de fratura no braço
Jorge Guaranho é acusado de invadir festa do tesoureiro do PT e matá-lo a tiros – Foto: Reprodução

Segundo os relatos à polícia na época, o ex-policial penal passou de carro em frente ao salão de festas dizendo “Aqui é Bolsonaro” e “Lula ladrão”, além de proferir xingamentos. Laudo técnico aponta ainda que Guaranho gritou “petistas vão morrer” ao atirar contra o tesoureiro.

O documento baseado em um laudo de leitura labial e imagens de câmeras de segurança aponta que Jorge Guaranho também gritou frases como: “Aqui é Bolsonaro, Bolsonaro, porra! Petralha!” e “Pra baixo, pra baixo, pra baixo”. Para os advogados que representam a família de Marcelo Arruda, o laudo confirma motivação política por trás da morte dele.

A defesa do ex-policial, por outra lado, nega motivação política na morte do petista e argumenta que o crime ocorreu por uma “discussão de [nível] quinta série“.

“Eles discutem de forma banal por uma besteira, e tem a agressão do senhor Marcelo, que acaba gerando todo esse conflito”, afirma Samir Mattar Assad.

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