Sergio Moro anunciou nesta sexta-feira (24) sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

A decisão veio após a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo ter sido publicada nesta madrugada no Diário Oficial da União.

Ao anunciar sua demissão o agora ex-ministro criticou a insistência do presidente para a troca do comando da Polícia Federal, sem apresentar causas que fossem aceitáveis.

Moro afirmou ainda que Bolsonaro queria ter acesso a informações e relatórios confidenciais de inteligência da PF. “Não tenho condições de persistir aqui, sem condições de trabalho.” E disse que “sempre estará à disposição do país”.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Moro aceitou largar a carreira de juiz federal, que lhe deu fama de herói pela condução da Lava Jato, para virar ministro da Justiça e Segurança Pública. Disse ter aceitado o convite de Jair Bolsonaro, entre outras coisas, por estar “cansado de tomar bola nas costas”.

Relembre algumas frases de Moro desde que foi convidado ao cargo.

Bola nas costas (3.dez.2018)
“Como gostamos de futebol, temos no Brasil uma expressão segundo a qual alguém diz estar cansado de levar bola nas costas (…). Meu trabalho no Judiciário era relevante, mas tudo aquilo poderia se perder se não impulsionasse reformas maiores, que eu não poderia fazer como juiz.”

Em seminário da Fundação Internacional para a Liberdade, em Madrid, quando explicava por que trocou a magistratura pelo Executivo

Nada tenho contra o ex-presidente (13.dez.2018)
“Da minha parte nada tenho contra o ex-presidente. Acho até lamentável que eu, infelizmente, tenha sido o autor da decisão que condenou uma figura pública que tem a sua popularidade e que fez até coisas boas durante sua gestão, mas também erradas.”

Em entrevista ao apresentador José Luiz Datena no programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, sobre a condenação do ex-presidente Lula (PT)

Menos grave (19.fev.2019)
“O caixa dois é um crime grave, mas não tem a mesma gravidade que corrupção, crime organizado e crimes violentos.”

Ao justificar o fatiamento do pacote anticrime proposto pelo governo Bolsonaro, em contraste com a sua opinião de juiz, quando dizia que caixa dois era pior do que corrupção

Povo brasileiro (20.mar.2019)
“Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”

Em resposta ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que havia classificado o pacote anticrime de Moro de “copia e cola”

Culpa (4.abr.2019)
“Se der errado, a culpa é dele [Bolsonaro]”

Sobre a criação de um perfil pessoal no Twitter, ao brincar com o presidente em transmissão ao vivo nas redes sociais

Pesquisa malfeita (11.abr.2019)
“A pesquisa mal feita apenas reforça a necessidade de continuar explicando aqui no Twitter o projeto de lei anticrime. Volto às explicações em breve.”

Em seu perfil no Twitter, sobre a pesquisa divulgada pelo Datafolha a respeito do pacote anticrime

Ganhar na loteria (23.abr.2019)
“[Ir para o STF] seria como ganhar na loteria. Não é simples. O meu objetivo é apenas fazer o meu trabalho.”

Em entrevista ao jornal português Expresso, ao ser questionado sobre ser ministro do STF

Nada de mais (10.jun.2019)
“Havia uma invasão criminosa de celulares de procuradores, pra mim isso é um fato bastante grave ter havido essa invasão e essa divulgação. E, quanto ao conteúdo, no que diz respeito a minha pessoa, eu não vi nada de mais.”

Sobre mensagens vazadas que indicam colaboração o ex-juiz e o procurador Deltan Dallagnol, quando ambos atuavam na Operação Lava Jato

Não tenho apego ao cargo (19.jun.2019)
“Eu não tenho nenhum apego pelo cargo em si. Apresente tudo. Vamos submeter isso, então, ao escrutínio público. E, se houver ali irregularidade da minha parte, eu saio. Mas não houve. Por quê? Porque eu sempre agi com base na lei e de maneira imparcial.”

Sobre mensagens da cúpula da Operação Lava Jato, em audiência no Senado

O presidente respeita (11.out.2019)
“A Polícia Federal vem realizando nesse caso e em todos os casos o seu trabalho com autonomia, e isso vai continuar ocorrendo (…). O presidente respeita a instituição e essa autonomia, ainda que possa estar insatisfeito com uma ou outra situação.”

Em resposta a questionamento da Folha de S.Paulo sobre críticas de Bolsonaro ao trabalho da Polícia Federal

Cercear trabalho da imprensa (20.jan.2020)
“Não se vê nenhuma iniciativa do presidente em cercear o trabalho da imprensa.”

Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura