A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) recebeu, durante a sessão desta terça-feira (14), o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Marcelo Fonseca. Além de agradecer as duas moções de apoio à universidade pública brasileira, aprovadas nessa segunda (13), ele reforçou as críticas ao bloqueio de 30% das verbas de custeio às instituições de ensino federais, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) no início deste mês. “À medida que a universidade cresce, a gordura já foi queimada. Os ajustes já foram todos feitos. Não há desperdício”, declarou.

(Foto: CMC)

 

“A universidade precisa ser abraçada pela sociedade paranense e curitibana”, afirmou Fonseca, sobre as moções de apoio. “Após os agradecimentos, é essencial desfazer notícias distorcidas.” Para o reitor, a universidade “tem sido atacada” e passado por uma “caricaturarização grosseira”. “Sofremos um corte brutal, que irá inviabilizar o funcionamento não só de nossa universidade, mas de todas as instituições federais brasileiras, a partir do segundo semestre”, continuou. Já as redes sociais, avaliou, trazem “desinformação e fake news” sobre a questão.

“A primeira fake news tenta dizer que é um corte insignificante, de 3,5%. De fato é um orçamento grande, mas mais de 90% vai para a folha de pagamento de ativos e inativos”, indicou. Segundo Fonseca, as verbas de custeio são destinadas exclusivamente à manutenção, às contas de energia, água e telefone, por exemplo, além de contratos de prestação de serviço, como para a vigilância dos campi e dos restaurantes universitários. “Esse orçamento tem sido encolhido nos últimos anos, nos vários governos. É uma situação paradoxal, porque pactuamos nossa expansão. A universidade continua crescendo.”

De acordo com o reitor, as verbas de custeio da UFPR foram de R$ 172 milhões em 2017 e de R$ 161 milhões em 2018. “Em 2019 deveriam ser mantidos os R$ 161 milhões. Com essa medida [anunciada pelo MEC, que adota o termo ‘contingenciamento’], passará para R$ 112,7 milhões. Inviável”, expôs. “Mesmo a manutenção [do montante] seria um problema”, argumentou, em relação a reajustes anuais de tarifas e contratos. Fonseca também definiu como fake news as críticas à ineficiência do Ensino Superior federal e à falta de transparência.

“[As universidades federais e estaduais] produzem mais 95% da ciência e tecnologia no Brasil. É falso que seriam as privadas as responsáveis pelo conhecimento brasileiro”, disse. “Segundo o ranking da Folha [de São Paulo], das 20 primeiras [colocadas], 19 são universidades públicas. A UFPR é a 7ª. Onde está a ineficiência?.” Sobre a transparência, respondeu que a publicização das informações é uma exigência legal: “Todos nossos contratos estão disponíveis na internet. Não existe empresa privada no Brasil que seja tão controlada como a universidade pública”.

“Um corte tem que ser precedido de diálogo”, opinou. “Se precisamos fazer um grande esforço nacional, nos chamem para conversar. Somos parceiras.” Ainda na avaliação do convidado, o poder público deve priorizar determinadas áreas, assim como no orçamento doméstico: “O remédio do filho, ou o colégio do filho, será cortado por último”. “Não existe futuro sem pesquisa, ciência e tenologia. Que estão sobretudo concentradas nas universidades públicas e aqui em Curitiba, sobretudo na nossa Universidade Federal do Paraná”, finalizou. Fonseca foi acompanhado pelo pró-reitor da UFPR, Fernando Mezzadri, e pelo diretor do Setor de Educação, Marcos Ferraz.

Mobilização nacional

Em discurso no final da sessão plenária, no horário das lideranças, Professora Josete (PT) destacou a mobilização nacional pela educação pública, nesta quarta-feira (15). Em Curitiba, a concentração será na praça Santos Andrade, a partir das 9 horas. “A mobilização envolve tanto o Ensino Superior quanto a Educação Básica. Várias universidades e redes estaduais, municipais, definiram como um dia de paralisação. Outras, como um dia de mobilização, com a representação dos locais de trabalho”, disse.

A pauta, acrescentou ela, inclui “a luta contra cortes e ataques a direitos sociais”, dando como exemplo a reforma da Previdência. “A sociedade precisa se colocar, fazer a defesa da escola pública, gratuita. Para que o país possa retomar o caminho do crescimento, sabemos que a educação é um dos pilares essenciais para avanços”, opinou a vereadora, autora de moção de repúdio à medida anunciada pelo MEC, rejeitada em plenário na semana passada.

Josete ainda divulgou a 31ª Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão (Sepe 2019) do Setor de Educação da UFPR, que vai de 13 a 18 de maio. Dentre as atividades, ela salientou uma mesa-redonda nesta quinta (16), às 19 horas, no campus Rebouças, com o tema “Educação em direitos humanos em tempos de retrocesso”. “É um debate importante e mais uma vez temos a universidade pública contribuindo com a pesquisa em uma área importante como a educação.”