Raul Urban busca novas pisadas da memória urbana

Aroldo Murá

Braz Hotel nos anos de ouro…

Raul Guilherme Urban, 70, meu colega de turma no Curso de Jornalismo da UCP (hoje PUCPR), coloca-se, sem favor nenhum, entre os grandes conhecedores da história da Curitiba Urbana.

Nessa intimidade com a Capital, faz parelha com outros jornalistas e professores universitários que, como ele, mesmo sendo cidadãos do mundo, elegeram Curitiba como seu universo maior de interesse; e souberam retirar do dia a dia da cidade a singular polifonia regida por homens, mulheres, crianças, lugares e símbolos da capital paranaense.

PUGLIELLI, DANTE

… e a etiqueta de bagagem.

Esse pessoal – grupo de que Urban é simbólico, ao lado de Maí Nascimento, Dante Mendonça, Luiz Geraldo Mazza, Hélio de Freitas Puglielli, Cassiana Lícia Lacerda, Jaime Lechinski, Adherbal Fortes da Sá Junior, Paulo Vítola, Constantino Viaro, Julio Zaruch, dentre outros -, não só viu o tempo passar, especialmente no século 20; mais que isso: muitas vezes foram atores e diretores da cena urbana, ajudando até a cidade a livrar-se do injusto apelido de “aldeia sinistra”.

No terreno do memorialismo cinematográfico, Wasyl Stuparyk está aí, atuante e dono de enorme acervo de depoimentos de gente de Curitiba, parte disponível no Youtube.

Tenho de citar, obrigatoriamente, o fotógrafo Dimitry Kozemjakim (personagem de Vozes do Paraná 10), o real pioneiro da fotografia publicitária o Paraná, e cujas filmagens também registraram momentos únicos do século passado. Idoso, 96, meio esquecido, Dimitry – croata -, é dono de um acervo fílmico e fotográfico único. Preciosidade que precisa ser acessada pela cidadania.

JAIME LERNER

O grupo citado acompanhou com olhar crítico, aplaudindo ou até rechaçando-a, a surpreendente intervenção urbana com que Jaime Lerner premiou a cidade a partir de 1971. Foi quando a cidade teve seu ‘Fiat‘, transformada na metrópole exemplar (crescimento com valorização da vida humana).

AS FALHAS

Sempre se cometem erros quando se nominam especialistas em Curitiba, em sua história não pintada por acadêmicos, mas aquela que foi escorrendo ao longo de dias fertilíssimos, como os do século 20.

Dimitry Kozemjakin: dono de preciosidades; Raul Guilherme Urban: Posto Horizonte

Estou certo de que o grupo dos que conhecem as esquinas de Curitiba e as peculiaridades de seus “points” identificadores é maior. Mas, por ora, fico com os nominados. E assim enriqueço o momento com o curto bilhete que Raul Guilherme Urban me manda, e que dá a dimensão de quão privilegiado é seu olhar, escrutinador do histórico, que jamais será substituído por “robôs” e quejandos:

“Caro Aroldo.

No momento, vou a fundo no redigir da pesquisa alusiva à história do Braz Hotel – um ícone urbano do início dos anos 1910, dirigido pelo casal Luiz e Maria Braz, depois ocupando o prédio, na Boca, projetado pelo pai do falecido amigo Lubomir Ficinski, e hoje de propriedade da família Slaviero.

No andar dos próximos dias, trabalharei a lembrança do desaparecido Posto Horizonte, que pertenceu a Jayme Canet Jr e foi projetado pelo arquiteto catarinense já finado, mas igualmente marco de Curitiba, Elgson Ribeiro Gomes. Ele, que tantos outros edifícios projetou na área central, e que vou rememorar com brevidade. Urban”.

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