Teremos em 2020 a primeira eleição com o fim das coligações na disputa proporcional – a votação para vereadores. As alianças na chamada majoritária, para cargos do Executivo, continuam permitidas. Com a alteração, cada partido precisará apresentar uma lista completa com candidatos a vereador, sem se coligar com outras legendas. Mudanças significativas que devem alterar a forma de disputa nas eleições.

Em entrevista ao Jornal da Banda B 1ª edição nesta segunda-feira, o diretor-presidente do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo garantiu que, em Curitiba, a chave da disputa para a prefeitura será o posicionamento do governador Ratinho Júnior (PSD).

Governador Ratinho Júnior deve ser peca-chave na disputa pela prefeitura de Curitiba – Foto AEN

A chave da disputa da prefeitura de Curitiba é o governador Ratinho Júnior e eu explico por que. Se o partido dele, o PSD, lançar candidato próprio, no caso, tudo indica, Ney Leprevost, muitos partidos farão o mesmo e haverá certamente segundo turno. Caso o PSD não lance candidato e apoie, por exemplo, Rafael Greca para a reeleição, muitos também retirarão as candidaturas a prefeito e as chances de Greca conseguir a reeleição aumentam, sem segundo turno. Ratinho pode também ficar neutro na disputa, mesmo com Leprevost disputando. Uma eventual neutralidade indica 2º turno, do contrário, não”, afirmou Hidalgo.

A lista de pré-candidatos à prefeitura de Curitiba é grande hoje. Encabeçada pelo prefeito Rafael Greca (DEM), que já manifestou a intenção de concorrer à reeleição, há ainda nomes como o secretário de Estado da Justiça, Trabalho e Família e deputado federal licenciado, Ney Leprevost (PSD), o ex-prefeito e deputado federal Gustavo Fruet (PDT), o ex-prefeito e deputado federal Luciano Ducci (PSB), o deputado estadual Fernando Francischini (PSL), o ex-prefeito de Pinhais e deputado federal, Luizão Goulart (Repub), ex-deputado federal João Arruda (MDB), Zé Boni (PTC), João Guilherme (Novo), Christiane Yared (PL), Maria Victória ou Cida Borghetti (PP), além de algum nome do PT, entre outros.

Murilo Hidalgo, diretor-presidente do Instituto Paraná Pesquisas – Foto Banda B

Em entrevista a Paulo Sérgio Débski e Denise Mello, Hidalgo disse que, em razão destas indefinições, não vê um favoritismo tão grande hoje de Greca. “Há quem fale que Greca seria favorito. Não vejo assim até em função das possibilidades de haver um segundo turno. E no caso de 2º turno, zera tudo. É outra eleição. Além disso há a questão do vice, Eduardo Pimentel. Aqui mesmo na Banda B, Greca disse que quer que Pimentel continue como seu vice. Só que, nos bastidores, comenta-se que para isso Pimentel teria que deixar o PSDB. Será que ele sairia? Haveria a pressão nacional com João Dória com possível candidato à Presidência em 2022, sem falar que também há o desgaste de pertencer ao mesmo partido de Beto Richa, hoje desgastado. Isso ainda está indefinido”, pontuou o analista.

Lembrando que, caso Greca seja reeleito com um índice alto de votos, o atual prefeito de Curitiba poderia assim ser um eventual adversário de Ratinho Júnior em 2022, na disputa pelo Governo do Paraná.

Número recorde de candidatos

Murilo prevê ainda um número recorde de candidatos a vereador: o maior do mundo. “Com a proibição de coligações para vereador, cada partido deverá lançar o maior número possível de candidatos. Deveremos bater até a Índia alcançando um recorde mundial. Mas fica a pergunta: serão pessoas que querem servir ou serem servidas? Seria só uma boquinha a mais ou não?”, afirmou.

Hidalgo disse ainda que deveremos ter muitos funcionários públicos como candidatos a vereadores. “Serão muitos porque, com o fim do financiamento de campanhas pela iniciativa privada e a necessidade do partido lançar o maior número de candidatos, os funcionários públicos são muito cobiçados. Disputando, eles ganham licença do cargo e continuam recebendo salário ao mesmo tempo em que receberão dinheiro do fundo partidário, o que não é pouco. Poderemos ter numa cidade pequena, por exemplo, que tem quatro médicos, todos saindo para disputar a eleição. E a questão nem é vencer, mas continuar recebendo o salário e ainda o fundo, sem nenhum prejuízo”.

Murilo Hidalgo finalizou a entrevista dizendo que as novas regras desta eleição estão sendo testadas. Se não for interessante para quem está no poder, podem mudar no próximo pleito. “Deixaram para testar estas novas regras com os vereadores. Se muitos conseguirem se reeleger, as regras devem permanecer. Do contrário, com muita renovação, pode saber que haverá mudanças para 2022”, completou.