O governador Ratinho Junior disse, nesta quarta-feira (29), que uma eventual candidatura de Sérgio Moro à Presidência da República teria “muita viabilidade”. Em entrevista concedida à CNN Brasil, o mandatário paranaense disse que é muito difícil julgar o relacionamento de um chefe do Poder Executivo com seu primeiro escalão, mas voltou a afirmar que Moro é um “orgulho” do estado.

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“É uma relação muito pessoal da dinâmica, do trabalho, e acaba tendo visões e posicionamentos diferentes. O ex-ministro Sérgio Moro é um paranaense que temos muito orgulho, já que expôs as vísceras da corrupção e mostrou que a Justiça mudou, passando a punir barões do poder. Ele nos orgulha muito e, obviamente, com a popularidade que tem e com a credibilidade que conquistou, é uma pessoa que se entender lá na frente ser candidato, tem muita viabilidade, mas isso é um julgamento muito pessoal dele”, disse Ratinho Junior.

Na semana passada, antes mesmo do pedido de demissão, Ratinho entrou em contato e deixou claro para Moro que ele tem espaço no Governo do Paraná. O ex-juiz da Lava Jato deixou o cargo no Governo Federal após o presidente Jair Bolsonaro decidir trocar o comando da Polícia Federal (PF).

E o governador do Paraná foi questionado sobre a troca de comando na PF. Para ele, isso é uma prerrogativa do presidente da República. “Não dá para a gente julgar a retirada ou não, a não ser com uma conduta que não seja de seriedade, fazer qualquer julgamento. O chefe do Poder Executivo tem essa prerrogativa, de nomear pessoas em cargos estratégicos, ainda mais que formar uma equipe para fazer gestão de um Estado ou de uma Nação, não é simples. Então, cabe ao presidente ter a responsabilidade ter essa liberdade e fica muito difícil para a gente tomar qualquer partido”, explicou.

Pandemia e Bolsonaro

Durante a entrevista, Ratinho também foi questionado sobre as recentes declarações de Jair Bolsonaro sobre a pandemia do novo coronavírus. Em entrevista concedida a jornalistas na noite de terça-feira (28), Bolsonaro foi questionado sobre o número de mortes no Brasil ter superado os da China e ele respondeu assim: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

Diante da declaração, Ratinho afirmou ter um bom alinhamento com o presidente, mas admitiu ter uma visão diferente da dele com relação à pandemia. “Eu tenho um profundo respeito por ele e acho que temos visões diferentes neste momento de pandemia. Aqui no Paraná não decretamos a quarentena, mas que alguns nichos precisavam ser fechados, como shoppings e igrejas. Fizemos o isolamento social, que entendemos que é o que tem para o momento. É importante registrar que não dá para trabalhar de forma normal em um momento anormal do mundo. Essa nuvem acabou chegando no Brasil e precisamos ter o isolamento social, que é a recomendação dos técnicos para o momento. Pode ser que em algum momento tenhamos que decretar a quarentena, mas por enquanto estamos conseguindo manter nossa curva com apenas alguns setores fechados”, concluiu.

Segundo o boletim divulgado nesta terça-feira (28), o Paraná tem 1271 pacientes confirmados com a Covid-19. Destas 851 estão recuperadas e liberadas do isolamento. 77 morreram por consequência da doença. O total de mortes de residentes no Estado chegou a 77 confirmações.