Dodge denuncia Temer por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; presidente se cala

Esta é a terceira vez que o presidente é denunciado pela PGR

Estadão Conteúdo

No apagar das luzes do calendário do Judiciário, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apresentou nesta quarta-feira, 19, uma denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito do inquérito dos Portos, que apura se houve favorecimento a empresas do setor portuário na edição de um decreto de 2017.

Além de Temer, foram denunciados João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo pessoal do presidente, Carlos Alberto Costa, sócio de Lima, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures e os empresários Antônio Grecco e Ricardo Mesquita, ambos da Rodrimar

Esta é a terceira vez que o presidente é denunciado pela PGR.

O presidente Michel Temer participa em Itu (SP) da cerimônia de inauguração do Centro de Memória Michel Temer. – Foto Ag. Brasil

Para Dodge, Temer vem recebendo vantagens indevidas “há mais de 20 anos” e a “edição do Decreto dos Portos (Decreto nº 9 048/2017) é o ato de ofício mais recente identificado, na sequência de tratativas ilícitas que perduram há décadas.”

De acordo com Raquel Dodge, a investigação comprovou que Temer, o coronel Lima e Carlos Alberto “ocultaram valores de pelo menos R$ 32.615.008,47, provenientes diretamente de crimes contra a Administração Pública praticados por membros de organização criminosa por meio de empresas de fachada”.

Para a procuradora-geral da República, ficou comprovada na apuração a longa relação estabelecida entre Temer e Antônio Celso Grecco “sob a forma de sistema de corrupção, no padrão conta corrente, tendo como nicho de atuação o setor portuário, especialmente o Porto de Santos, que culminou na edição do Decreto nº 9.048/2017”.

“Mandatário”

Ao apresentar a denúncia contra o presidente da República ao STF, Raquel Dodge frisou que o Coronel Lima ocupa “lugar de destaque” no esquema.

“Ele atua como mandatário de Michel Temer, apresentando-se há décadas como homem de confiança de Temer em diversas ocasiões. João Batista Lima Filho tem atuado em todas as relações comerciais entre Michel Temer e empresários do setor portuário, dissimulando sua existência, natureza e efeitos”, diz Dodge.

Até a publicação deste texto, o Palá

Temer se cala

O presidente Michel Temer evitou o assunto ao ser homenageado na noite desta quarta-feira em evento da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), em Goiânia (GO).

De forma genérica, Temer disse apenas que foi vítima de “uma trama moral” que muito o agrediu, sem especificar se falava das outras duas denúncias anteriores, oferecidas pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.

“Salvo a greve dos caminhoneiros, não enfrentamos nenhuma outra greve. Enfrentamos, sim, uma oposição ferocíssima e fui vítima de uma trama moral que muito me agrediu”, disse.

O evento na Fieg era a posse do novo presidente da instituição, Sandro Mabel, ex-assessor especial da Presidência da República. Sob comando de Mabel, a Federação decidiu presentear Temer com a “comanda do mérito industrial”.

O presidente aproveitou a homenagem para dizer que a honraria era sinal de que seu “café” continua quente, apesar de estar nas últimas semanas de governo. No discurso, Temer também procurou enaltecer as ações da sua gestão. Citou principalmente a PEC do Teto e o que chamou de “modernização das leis trabalhistas.

Ele também falou sobre seu papel conciliador na intervenção feita junto ao estado de Roraima. “Qualquer intervenção é sempre traumática, mas conduzi duas intervenções negociadas: uma no Rio de Janeiro e agora em Roraima”, disse.

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