Um projeto de lei protocolado na Assembleia Legislativa do Paraná busca autorizar e regulamentar o uso experimental da polilaminina no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de pacientes com lesões medulares agudas e paralisias. A pesquisa sobre a substância ainda está em fase de estudo clínico 1, ou seja, ainda não tem garantia de eficácia nem de segurança.

mulher colocando líquido dentro de pequenos recipientes de um laboratório. Ela veste um jaleco branco e luvas de latex azuis
Polilaminina autorizada de forma ampla pode oferecer riscos / Foto: reprodução/Agência Brasil

Como a pesquisa está em andamento e o uso da polilaminina ainda não tem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que uma pessoa tenha acesso é necessário abrir um pedido na Justiça.

O projeto de lei, de autoria do deputado Arilson Chiorato (PT), tem como objetivo mudar isso para garantir amplo acesso ao medicamento, não apenas a pacientes que requisitarem esse direito. Um projeto propondo autorização semelhante (PL 650/2026) para o uso experimental da polilaminina foi apresentado na Câmara dos Deputados na última segunda-feira (23) pelo deputado federal Luis Tibé (Avante-MG).

Uso experimental da polilaminina: o que diz o projeto

Entre as determinações da proposta que está em trâmite na Assembleia Legislativa do Paraná, está que alguns casos terão prioridade de aplicação: “vítimas de acidentes de trânsito, quedas de altura, traumas raquimedulares ou eventos similares que resultem em lesão medular ou paralisia, nas unidades de saúde públicas e privadas conveniadas ao SUS”, explicita o projeto.

O projeto também prevê que a Secretaria Estadual de Saúde (SESA) possa celebrar convênios, termos de cooperação técnica e parcerias com instituições de pesquisa, como universidades públicas, institutos tecnológicos e laboratórios, devidamente autorizados pelos órgãos federais competentes, visando o fornecimento regular da substância. Além disso, o texto inclui a capacitação permanente dos profissionais de saúde e o suporte técnico-científico necessário à sua aplicação.

O que é a Polilaminina

A polilaminina é uma proteína sintetizada a partir da laminina, que é encontrada naturalmente no corpo humano. Ela pode ajudar na ligação entre células e está associada à regeneração de neurônios. Ela ganhou atenção recentemente quando foi utilizada nas pesquisas conduzidas pela cientista Tatiana Sampaio com o uso experimental da polilaminina para regeneração neural e recuperação funcional de pacientes com lesão medular aguda.

Os estudos de Tatiana Sampaio tiveram sucesso quando realizados em animais e depois em um pequeno grupo de pessoas. Assim, ela conseguiu uma parceria com um laboratório nacional e a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início da pesquisa maior sobre o funcionamento da polilaminina.

Etapas da pesquisa e riscos

A pesquisa, no entanto, ainda está em andamento, em estudo clínico de fase 1. A aprovação do estudo só aconteceu no dia 05 de janeiro deste ano, portanto, tudo ainda está no início. É através desse estudo que será possível comprovar se o uso da polilaminina é seguro. Para isso, a substância será aplicada em cinco pacientes com lesões agudas completas da medula espinhal ocorridas há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica.

Antes destes testes, de acordo com a Anvisa, o estudo ainda é insuficiente para saber se o medicamento não causa riscos e de fato funciona. A fase 1 deve avaliar a segurança do produto e, se comprovada, será permitido o avanço para as etapas de fase 2 e 3. Somente nestas etapas será possível comprovar a eficácia do medicamento. Por isso, o experimental da polilaminina pode trazer riscos à saúde.