Redação com Estadão

Em Curitiba, onde fica a força-tarefa da operação Lava Jato, a decisão do Supremo Tribunal Federal de soltar o ex-ministro José Dirceu (PT) foi recebida com críticas. “O que está acontecendo é a destruição lenta de uma investigação séria. Acreditam que a população não está mais atenta, talvez anestesiada pela extensão da corrupção”, afirmou o procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima.
Por 3 votos a 2, os ministros da Segunda Turma o Supremo decidiram nesta terça-feira, 3, pela libertação de Dirceu, que estava preso desde agosto de 2015 na Operação Lava Jato. Os procuradores da força-tarefa também foram alvos de críticas pelo ministro Gilmar Mendes, que classificou a postura do grupo como “brincadeira quase juvenil”.
Por sua vez, o procurador Deltan Dallagnol, que também integra a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), responsável pela Operação Lava Jato, classificou como “incoerente” a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de soltar Dirceu. Pelas redes sociais, ele citou outros três casos de prisões preventivas em que os três ministros que votaram a favor da saída de Dirceu, naquelas oportunidades, foram contrários à saída dos réus. Desses casos, dois eram denúncias de corrupção e outro de tráfico de drogas, em que o réu, segundo o resumo descrito pelo procurador, foi detido pela polícia com cerca de 150 gramas de drogas, entre maconha e cocaína.
Dallagnol disse que Dirceu foi tratado de forma diferente pelos ministros Ricardo Lewandowski, Dias Toffolli e Gilmar Mendes, que votaram a favor do habeas corpus. “Diz-se que o tráfico de drogas gera mortes indiretas. Ora, a corrupção também. A grande corrupção e o tráfico matam igualmente. Enquanto o tráfico se associa à violência barulhenta, a corrupção mata pela falta de remédios, por buracos em estradas e pela pobreza. (…) Gostaria de poder entender o tratamento diferenciado que recebeu José Dirceu, quando comparado aos casos acima“, afirmou.