O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, admitiu nesta sexta-feira (17) que é necessário reconhecer que o Judiciário está “imerso” em uma crise de confiança. Em palestra a alunos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, o magistrado afirmou que existe no País um cenário de “desconfiança institucional” e “intensa polarização”.

O ministro do STF Edson Fachin, com expressão séria, falando ao microfone durante uma palestra. Ele tem cabelos brancos, usa bigode, óculos de armação escura, terno azul-marinho e gravata vinho com pequenos detalhes. O foco está no ministro, com os microfones em primeiro plano levemente desfocados.
O ministro Edson Fachin, do STF, admite que o Poder Judiciário enfrenta uma crise – Foto: Piti Reali/STF

“Quando falamos em crises, é fundamental reconhecer que efetivamente estamos imersos, em relação à atuação do Judiciário, em uma crise que precisa ser enfrentada, com olhos de ver e ouvidos de ouvir, sob pena de repetirmos, para problemas novos, soluções velhas, que significam relegar os problemas sem resolvê-los”, afirmou ele.

Sempre que o juiz parecer estar atuando como agente político disfarçado de intérprete jurídico, perde-se a confiança pública

completou Edson Fachin

STF tem sucessão de crises após caso do Banco Master

O STF se viu tragado para uma sucessão de escândalos após o início das investigações do caso Banco Master, pela Operação Compliance Zero. As apurações sobre o esquema de fraudes financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro envolveram, principalmente, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Toffoli foi implicado por relações societárias com um resort no interior do Paraná. Ele também se envolveu em polêmica por um voo para a final da Copa Libertadores, no Peru, feito na companhia de advogados que representavam pessoas ligadas ao escândalo.

Alexandre de Moraes viu vir à tona a informação de que o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, recebeu R$ 80 milhões do Banco Master, em dois anos, em um contrato de R$ 3,6 milhões por mês, um valor alto para os padrões da advocacia. Ambos ainda teriam viajado em jatinhos de uma das empresas de Vorcaro.

As relações suspeitas dos ministros levaram o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a pedir o impeachment de três deles: Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A ação do parlamentar, que acabou com o relatório sendo rejeitado na comissão após manobra do governo Lula, abriu um novo foco de crise com a Corte. Toffoli e Mendes fizeram ameaças ao senador, com o segundo acionando a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a apuração de suposto crime de abuso de autoridade.

Além disso, o Judiciário brasileiro se vê sob pressão social por causa dos penduricalhos pagos a juízes e desembargadores. Uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), relatada pelo próprio Fachin, criou novas previsões de pagamentos acima do teto constitucional, contrariando uma decisão do próprio STF sobre limites a estes benefícios.

📲 Não perca nenhuma notícia! Siga o Instagram da Banda B e receba as atualizações direto no seu feed. Acesse aqui!