Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), afirmou que o sigilo de 8 anos que a instituição impôs sobre os documentos relativos à liquidação do Banco Master não é uma medida excepcional. A declaração foi dada à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, nesta quarta-feira (8).

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o sigilo aplicado à liquidação do Banco Master é regra e precisa ser cumprida. A imagem mostra Galípolo, de terno azul, falando sobre o assunto na CPI do Crime Organizado, na Câmara dos Deputados.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante CPI do Crime Organizado, no Senado. Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

De acordo com Galípolo, há uma regra no Banco Central, desde 2018, que aplica sigilo de 10 anos para bancos maiores, e, de 8 anos, para menores. “Para mudar isso, você precisa ter uma justificativa. De 2018 para cá, todas as 16 resoluções que existiram de instituições financeiras seguiram estritamente essa regra”, afirmou.

Gabriel Galípolo disse ainda que, no caso da instituição de Daniel Vorcaro, o Banco Central entende que “é fundamental que seja seguido o rito mais estrito possível, justamente para evitar […] algum questionamento amanhã”.

O presidente do BC comentou que não cabe a ele desobedecer a regra em vigor. “Quem tem poder de mudá-la, que o faça”, disse. Galípolo comentou que a padronização das decisões tem o objetivo de evitar eventuais questionamentos sobre a legalidade das liquidações e processos. Segundo ele, a instituição financeira e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) responde na Justiça por duas liquidações, uma há 50 e a outra há 20 anos.

Liquidação do Banco Master pelo Banco Central; entenda

O Master foi liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição de Daniel Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade acima da média do mercado.

O banco, para sustentar o modelo, assumiu riscos excessivos e estruturou, de acordo com os investigadores, operações que inflavam artificialmente o balanço. Assim, com o tempo, a liquidez real se deteriorou. E, de acordo com Galípolo, o Master, no dia da liquidação, tinha apenas 10% do valor que precisava para quitar os CDBs que venciam na mesma data.

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