Durante a polêmica paralisação dos testes da vacina Coronavac todas as atenções se voltaram para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desde o início da semana, apoiadores e dissidentes do presidente Jair Bolsonaro estiveram de olho especialmente nas declarações do presidente do órgão, o médico e contra-almirante Antonio Barra Torres.

Isso porque Barra Torres assumiu o cargo em janeiro por indicação de Bolsonaro. Em março, no início da pandemia no Brasil, ele ganhou projeção e foi alvo de críticas ao participar de um ato pró-governo em Brasília. Nem Barra Torres nem Bolsonaro usavam qualquer tipo de proteção.

Pela proximidade com o presidente da república, Barra Torres chegou a ser cotado para assumir o comando do Ministério da Saúde após a saída de Luiz Henrique Mandetta. Ele seguiu na Anvisa também mesmo após a troca pela segunda vez de ministro, quando Nelson Teich foi substituído por Eduardo Pazuello.

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Em maio, o presidente da Anvisa confirmou em vídeo que testou positivo para o coronavírus. Teve sintomas leves da doença e retornou ao trabalho cerca de 15 dias depois. Na terça-feira, Barra Torres tentou se esquivar da “guerra política”. Em entrevista coletiva, disse que apesar de haver um embate entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e Bolsonaro, o cancelamento do estudo da Coronavac utilizou apenas critérios técnicos.

“Quando temos eventos adversos não esperados, a sequência de eventos é uma só: interrupção dos estudos. A responsabilidade é nossa, de atestar a segurança de uma vacina e sua eficácia. Que outra decisão é possível diante de um evento adverso grave não esperado e com informações incompletas? O protocolo manda que seja feita a interrupção do teste.”

Barra Torres assumiu efetivamente a presidência da Anvisa em janeiro no lugar de William Dib. Ele é formado em medicina e ingressou na Marinha em 1987. Em 2015, chegou ao posto de contra-almirante, o terceiro mais alto da corporação. Ele também foi diretor do Centro de Perícias Médicas da Marinha e do Centro Médico Assistencial da Marinha.

Nesta quarta, a Anvisa autorizou a continuidade dos testes da Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã. O estudo havia sido suspenso na segunda-feira, 9, por causa da ocorrência de um evento adverso grave em um dos voluntários. Segundo fontes da pesquisa, o evento adverso foi a morte de um homem de 32 anos, com suicídio como causa provável, e que não teria nenhuma relação com o imunizante.