Por Denise Mello

Prefeito de Campo Magro, Louvanir Menegusso. Foto: Jorge Woll/DER

O prefeito de Campo Magro, na região Metropolitana de Curitiba (RMC), Louvanir Menegusso (DEM), que não conseguiu se reeleger, anunciou nesta sexta-feira (30) que não vai poder pagar os fornecedores da prefeitura no final de sua gestão. O motivo não seria a falta de dinheiro, segundo a denúncia do prefeito, mas sim porque um funcionário do departamento financeiro não teria aparecido para trabalhar. Este servidor comissionado estaria com todas as senhas para efetuar os pagamentos. O valor que estaria em caixa, assegurou Menegusso, e que não poderá ser repassado aos fornecedores, seria de R$ 1,6 milhão.

“Fomos surpreendidos na manhã desta sexta-feira com a ausência deste servidor. Ele não apareceu para trabalhar e levou com ele o pen drive das contas e senhas para acessar o sistema que faz os pagamentos aos fornecedores. Ligamos pra ele e, pelo celular, por mensagem, o servidor disse que não foi trabalhar por orientação do promotor público. Isso não é verdade porque liguei para o promotor e ele me falou que não deu nenhuma ordem nesse sentido”, disse o prefeito à Banda B.

Por volta das 9h30, Menegusso afirmou que já estaria na delegacia da cidade fazendo um Boletim de Ocorrência contra o servidor por furto. “Isso é furto. Este servidor tem cargo em comissão e está conosco desde 2013. Sempre foi de confiança. Não consigo entender porque estaria fazendo isso. Estou na delegacia registrando boletim de ocorrência por furto contra ele”, disse o prefeito. Porém, segundo a assessoria do prefeito, como a delegacia estava fechada, foi registrado um B.O. junto à Polícia Militar (A Banda B recebeu cópia do documento ao meio-dia). A assessoria da Polícia Civil informou que a investigação deve começar assim que o documento registrado pela PM chegar ao delegado responsável pelo município.

O nome do servidor não foi revelado à Banda B. O prefeito disse ainda que está muito preocupado em deixar a prefeitura sem pagar todas as contas. “Esta é minha terceira gestão. Nunca passei por uma situação como essa de sair sem deixar as contas pagas. O dinheiro (cerca de R$ 1,6 milhão do Fundo de Participação dos Municípios) está na conta, mas fico preocupado porque não sei como o novo prefeito vai usar estes recursos. Os fornecedores estão me ligando, mas não há como fazer o pagamento diante da ausência deste servidor”.

Na explicação de Menegusso, apesar dos bancos estarem fechados nesta sexta-feira, a prefeitura teria até às 10h30 para fazer as transferências online (via internet). “Iríamos fazer as transferências até às 10h30 via online, mas como o servidor não apareceu isso não é possível, infelizmente”.

O prefeito garantiu, porém, que toda a folha de pagamento já foi paga e não ficará nenhuma pendência desta área para o novo prefeito.

Delegado falou

Por volta das 12h30, o delegado Nasser Salmen entrou em contato com a Banda B e criticou a justificativa da prefeitura de que a delegacia estava fechada. Ele explicou que, por conta do recesso decretado pelo governo do estado, apenas as sedes de comarca permaneceram abertas nesta sexta, mas que o prefeito poderia ter realizado o boletim normalmente em Almirante Tamandaré. “Assim que o boletim da PM for disponibilizado, vamos instaurar inquérito. Preliminarmente entendo muito estranho que, no último dia útil do ano, apareça um argumento de furto do pendrive com os fornecedores. Então vamos apurar não só o furto, como também responsabilidades. É suspeito tudo isso e a investigação será de uma amplitude maior”, comentou.

Não reeleito

Louvanir Menegusso comandou a prefeitura de Campo Magro pela terceira vez e não conseguiu se reeleger. O novo prefeito é Claudio Cesar Casagrande (PSD). Ele foi eleito com 5.093 votos (33,58%). Bozinha PMDB ficou em segundo lugar, com 4.768 (31,43%). Em terceiro lugar ficou José Pase (PTB) com 3.138 votos. Menegusso ficou em 4º lugar com 2.169 votos.