O prefeito de Fazenda Rio Grande, Marco Antônio Marcondes Silva (PSD), se manifestou pela primeira vez sobre a Operação Fake Care, ação na qual ele é acusado pelo Ministério Público de integrar um esquema de desvio milionário de recursos públicos da área da saúde, no qual teria recebido pelo menos R$ 251,2 mil em espécie, segundo a denúncia do MP.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, na noite desta segunda-feira (18), Marcondes afirma que não se manifestou antes por orientação dos advogados.
“Sempre trabalhei de forma honesta, conduzi minha vida e minha trajetória pública com transparência, respeito, seriedade e com amor pela cidade. Confio na Justiça e tenho certeza que em breve tudo será esclarecido”.
O prefeito também afirmou que o trabalho que realizou para a cidade trouxe resultados e que isso pode ter ‘incomodado’, mas não negou diretamente nenhum dos crimes pelo qual é acusado.
“Muita gente me alertou, na política quem se destaca incomoda e quem faz paga o preço. Talvez seja isso”
Detalhes do esquema
O MP-PR detalhou na denúncia um suposto esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Fazenda Rio Grande, que teria desviado mais de R$ 10 milhões da área da Saúde por meio da contratação irregular da empresa AGP Saúde, sempre sem licitação. Segundo o MP, a empresa foi favorecida em contratos para a realização de “testagem domiciliar de doenças pré-existentes e aplicação de questionário de saúde para fins estatísticos”.
Ainda conforme a denúncia, o projeto não tinha relação com o programa “Saúde nos Bairros”, como divulgado pela prefeitura. Uma análise técnica do CAOP da Saúde Pública apontou que “o projeto carece de metodologia científica adequada, não define critérios de amostragem, gera vieses de seleção e pode levar a conclusões equivocadas e prejudiciais à saúde pública”.
Com base em imagens de câmeras de segurança e na quebra de sigilo bancário autorizada pelo Tribunal de Justiça, o MP traçou a cronologia da atuação do grupo, relacionando pagamentos da prefeitura à AGP Saúde, depósitos em dinheiro nas contas dos investigados, reuniões na casa do prefeito para divisão de propina e operações de lavagem de dinheiro.
Relembre o caso
Cinco pessoas foram presas no dia 09 de outubro após uma investigação que durou cerca de seis meses. Marco Marcondes estava entre os detidos. Eles foram liberados mediante uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares no dia 23 do mesmo mês.
Segundo o MP-PR, o prefeito Marco Marcondes e o secretário Francisco Roberto Barbosa foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal, desvio de dinheiro público e corrupção passiva majorada.
O esquema de desvio de recursos públicos pode chegar ao montante de R$ 30 milhões e envolve prefeituras do Paraná e de Santa Catarina.
Os denunciados são:
- Marco Antonio Marcondes Silva – prefeito municipal;
- Francisco Roberto Barbosa – secretário da Fazenda, ex-secretário de Saúde;
- Samuel Antonio da Silva Nunes – sócio da empresa investigada AGP Saúde;
- Alberto Martins de Faria – auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR);
- Abrilino Fernandes Gomes (também conhecido como Fernando Gomes) – ex-chefe de gabinete;
- Angela Maria Martins de Faria (mãe de Alberto).
O MP aponta que o esquema começou em Santa Catarina e foi replicado no Paraná, inicialmente na prefeitura de Contenda, sob coordenação de Abrilino Fernandes Gomes, e depois em outros municípios, incluindo Fazenda Rio Grande.
O Portal da Transparência de Fazenda Rio Grande mostra três contratos da Secretaria de Saúde com a empresa AGP Saúde, dois de 2024 e um de 2025, totalizando R$ 5.723.375,00, todos sem licitação, com o mesmo objeto:
“Contratação de empresa especializada para testagem domiciliar de doenças pré-existentes com levantamento e análise estatística, mediante testes sanguíneos, de urina e físicos, atendendo a demanda dos Programas de Saúde Preventiva”.