Quem conheceu Beti Pavin (PSDB) ainda telefonista, lembra da vontade que ela já carregava consigo de participar ativamente na gestão de Colombo, sua cidade natal. Depois de quatro vitórias nas urnas – duas reeleições em épocas diferentes – a prefeita de um dos municípios mais importantes para a região metropolitana agora se despede da gestão deixando legados de desenvolvimento e avanços.

Beti faz parte do perfil de políticos que vive a cidade: colombense e ciente dos desafios para tornar a cidade protagonista. Para a Banda B, a prefeita fala sobre a sensação de dever cumprido e enaltece a melhor performance da gestão, nos últimos anos. “Já estive prefeita e retornei para mais oito anos. Posso dizer que esse foi melhor porque aprendemos com erros e tenho a certeza de que foi feito o melhor para nossa cidade. Sou colombense e sempre quis que a cidade avançasse, com boas condições de vida ao nosso cidadão. Somos a oitava cidade em número de pessoas, que foi crescendo na década de 80, sem estar preparada para receber tanta gente. Avançamos dentro de um projeto para a cidade e estamos deixando outro município, com certeza não é o mesmo que recebi em 2013”, acredita a prefeita.

 

Foto: Prefeitura de Colombo/Divulgação

Pioneira

Ainda como servidora pública em 1977, Beti Pavin sentia ausência de representatividade feminina na política. “Comecei na prefeitura como telefonista, na época. Sempre vivi a relação forte com Colombo, ouvi muito as pessoas, as coisas foram acontecendo e as mulheres me pediam para entrar na política. Me tornei a primeira vereadora e sofri muita restrição, de pessoas que vem de uma cultura mais machista, que não queriam mulher na política”, relembra ela.

Para Beti Pavin, a vitória de uma mulher nas urnas de um município metropolitano como Colombo quebrou barreiras e abriu caminhos a novas mulheres políticas. “Mulheres têm plenas condições de serem protagonistas e têm toda a condição de cuidar das cidades, por serem cuidadosas. Eu fico ressentida por saber que ainda se tenham dificuldades de conseguir trazê-las para a política por não estarem tão dispostas, talvez por situações na política que a envergonhem, ou até falta de incentivo dentro de casa. O que a gente faz é estimular que nós mulheres temos papel fundamental, somos maioria na educação, na saúde e vamos mudar isso também na política”, crê a prefeita.

Gestão

O equilíbrio de gastar menos do que se arrecada é o grande desafio para os prefeitos. Em Colombo, a pandemia resultou em uma queda de 15% de arrecadação municipal, causando impacto nos investimentos e manutenção da cidade. Mesmo assim, a prefeita Beti Pavin assegurou o andamento de obras, salários e recursos do município.

“É um orçamento de R$ 480 milhões para uma população de 250 mil, então temos que fazer milagre porque o recurso é pequeno. No passado, não pensaram que Colombo precisaria de empresas. Ao longo dos anos, não sobrou espaço para elas se instalarem por falta de incentivos, questões ambientais e isso tudo impediu o avanço industrial. A aprovação de uma lei recente do Congresso fez com que a gente recuperasse a perda e mantivesse as contas pagas, dinheiro em casa e certidões todas em dia”, garante a prefeita Beti Pavin. “Estamos deixando tudo em dia, é só dar continuidade e colocar as pessoas certas para isso. Isso não é mérito, mas sim um dever nosso como gestor, fazendo tudo como a lei manda e é assim que estamos entregando a prefeitura”, completa ela.

Em oito anos à frente da Prefeitura, Beti Pavin relembra de um momento difícil que precisou enfrentar e ainda enfrenta no dia a dia. “Saí lá atrás com o Hospital Santa Casa funcionando e, quando retomei em 2013, ele estava fechado. Desde então tentei fazer parcerias, mas havia um interventor que não queria que saísse do lugar. Agora, aconteceu um leilão e a gente espera ansiosamente que ela retorne as atividades, ajudando na condução da saúde do próximo gestor. Vê-la fechada é uma enorme frustração”, lamenta a prefeita.

Legado

A prefeita Beti Pavin ainda aproveitou para destacar feitos importantes em sua gestão, como o investimento de R$ 160 milhões para asfalto, com pavimento em 155 quilômetros, em 450 ruas. “Tenho certeza que deixei um legado, sim. Aqui, 80% das ruas asfaltadas fomos nós que realizamos. Entregamos a obra da Rua Abel Scuissiato, super importante, que liga a Estrada da Ribeira até Pinhais. A revitalização da João D’agostin,  que tinha uma situação de enchente, então era importante investir ali”, diz a prefeita.

Na área da educação, Colombo investiu R$ 36 milhões, com construção de novas escolas, CMEIs, quadras esportivas, ampliação e reforma de unidades. Das três escolas construídas, duas funcionarão em tempo integral.  “O que me deixa mais feliz são as escolas em tempo integral que entregamos em nosso governo. Das 30 mil crianças, sete mil estão em tempo integral. Isso é um início bom e o futuro gestor pode dar continuidade nisso. Quero aproveitar e agradecer muito nossos professores pelo 6.2 do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), um resultado positivo a nível de estado, entregando uma educação de qualidade”, comemora Beti Pavin.

Na saúde, o ano desafiador por conta da pandemia deu espaço a investimentos e novas unidades de saúde. Ao todo, R$ 13 milhões foram investidos em novas unidades, novo ambulatório de especialidades médicas e implantação do Samu. “Ano muito difícil por causa da pandemia, fui presidente do Consórcio Metropolitano de Saúde e implantamos os Ambulatórios Multiprofissionais de Especialidades (AMEs), no Jardim Osasco, para moradores de Colombo e das demais cidades, com consultas de especialistas mais rápidas para saírem da fila do SUS. Destaco também a implantação do Samu em vários municípios em uma parceria com os prefeitos metropolitanos”, evidencia a prefeita.

Colombo investiu em amparo e acolhimento, em meio à pandemia, que deixou milhares de pessoas sem trabalho. Foram R$ 3 milhões investidos em novos CRAS e Centros de Convivências. O Restaurante Popular foi reinaugurado em dezembro, oferecendo comida de qualidade a preço simbólico.

No Meio Ambiente, o investimento para contenção de enchentes e a construção do Parque Linear do Rio Palmital teve investimento de R$ 4 milhões. Mais de cinco mil famílias são atendidas mensalmente por meio do programa Coleta Verde.

Ainda, Colombo teve grande desenvolvimento no Esporte e na Cultura, com construção de arenas sintéticas em nove bairros, reformas em cinco ginásios e mais de 40 novas academias ao ar livre. Faz parte do investimento a inauguração da Praça CEU das Artes no Jardim Eucaliptos e a Casa Ítalo-Polonesa do Parque da Uva.

Futuro

Embora tenha uma trajetória de sucesso na política, Beti Pavin nega que tenha planejamento a longo prazo. “As pessoas nem acreditam, mas nunca me planejei em nada na minha vida. Sempre trabalhei muito, então quero que a gente saia dessa pandemia e consiga respirar e viver melhor, abraçando as pessoas”, deseja a prefeita de Colombo.

“Torço para que os governantes acertam o passo. Desejo sucesso a nossa administração que está entrando, estamos deixando um bom caminho. O futuro a Deus pertence. Agradeço aos servidores que tanto nos ajudaram a avançar, a Câmara de Vereadores que nunca me faltou e sempre soube dos bons projetos que tínhamos para cidade. Agradecer a população que sempre acreditou na gente, cidadãos que acreditam e vivem Colombo – foi para eles que sempre trabalhei”, diz ela.

Para Beti Pavin, os próximos dias – assim que finalizar a transição para a nova gestão e deixar a prefeitura de Colombo – será de descanso. “Vou descansar um pouco e ver o que Deus nos prepara para os próximos anos”, finaliza ela, desejando bom futuro e boas novas a todos.