Parlamentares da Câmara dos Deputados, em Brasília, devem protocolar um novo pedido de impeachment contra Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (22). A decisão foi tomada após o magistrado solicitar a inclusão de Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, no inquérito das fake news. Zema afirmou que o STF se transformou em “balcão de negócios”.

Romeu Zema critica STF após inclusão em inquérito das fake news e faz duras declarações contra ministros. A imagem mostra Romeu Zema com o microfone na mão.
Romeu Zema reage à decisão de Gilmar Mendes e critica atuação do STF. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Gilmar Mendes pede que Romeu Zema seja investigado

Uma representação foi enviada por Gilmar Mendes ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, pedindo que Romeu Zema seja investigado por compartilhar, nas redes sociais, um vídeo em que um boneco, caricatura de Mendes, conversa sobre o caso Master com outro boneco, que imita Dias Toffoli, também ministro.

Após as manifestações de Gilmar Mendes no Supremo, Romeu Zema disse que “vai dobrar” o que estava fazendo. O governador de Minas Gerais afirmou que o STF se transformou em um “balcão de negócios”. A declaração foi dada em entrevista à TMC.

Quero ver quem é que vai me calar. Quero ver. Só se arrumar um esparadrapo gigante e colocar na minha boca à força, caso contrário eu vou continuar falando que o Supremo Tribunal Federal se transformou no Supremo Balcão de Negócios. É só ver as negociatas dos ministros que estão lá.

disse o pré-candidato à Presidência

Zema afirmou que o STF terá de prender “o Brasil inteiro”, caso queira encarcerar quem tece críticas aos ministros da Suprema Corte. “Nós temos hoje, no Brasil, uma casta que se considera acima da lei”, disse.

Oposição manifesta preocupação com ação de Gilmar Mendes

Gilberto Silva (PL-PB), deputado federal líder da oposição na Câmara dos Deputados, disse que manifesta “profunda preocupação diante da iniciativa de Gilmar Mendes” de solicitar a inclusão de Romeu Zema no inquérito das fake news. De acordo com Silva, a ação “é um precedente grave”.

Trata-se de um inquérito instaurado de ofício, sem provocação do Ministério Público, sem sorteio de relatoria e com concentração de poderes incompatível com o devido processo legal. Investigação, acusação e julgamento passam a coexistir dentro da mesma estrutura.

comentou Silva

O parlamentar, em nota oficial, disse ainda que esse tipo de ação não é normal em um Estado de Direito. “Isso não é aceitável em uma democracia”, comentou.

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