Às vésperas das manifestações que têm o Congresso como um dos focos de ataque, líderes do chamado centrão fecharam nesta terça-feira (21) um acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para votar ainda nesta semana a medida provisória que reorganiza a estrutura do governo.

O grupo, que reúne legendas como PP, DEM, PR, PRB, MDB e Solidariedade, vai apresentar um texto conjunto para derrubar no plenário da Casa a recriação do Ministério das Cidades. O movimento é uma resposta aos ataques de que deputados e senadores têm atuado para impedir o avanço do governo de Jair Bolsonaro.

(Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Nesta terça (21), o Painel mostrou que líderes de algumas siglas já pregavam a derrubada da pasta como uma resposta às acusações de fisiologismo.
De acordo com integrantes do centrão, o Congresso pretende mostrar à sociedade que tem responsabilidade com o país e que, diferentemente do que pregam o presidente e seus apoiadores, não estão pleiteando cargos na Esplanada.

A recriação da pasta das Cidades foi articulada pelo ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para tentar destravar as articulações políticas.

A derrubada do trecho que recria o ministério também está sendo articulada pela bancada do PSL. Deputados do partido de Bolsonaro pretendem apresentar no plenário da Câmara ao menos cinco destaques, um deles para devolver o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) ao ministro da Justiça, Sergio Moro.

Parlamentares do PSL admitem que a estratégica tem como único objetivo expor o grupo, reforçando o discurso de que uma ala do Legislativo atua para impedir os avanços no combate à corrupção.

Uma ala do centrão tem defendido que o trecho vá à voto nominal e não haja obstrução. O grupo foi responsável pela articulação para colocar o órgão nas mãos do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Integrantes do centrão dizem que o movimento de transferência do Coaf foi acordado com o Palácio do Planalto e cabe agora a Bolsonaro dar um ultimato no PSL.

Editada pelo governo Jair Bolsonaro em janeiro, a MP 870 reduziu de 29 para 22 o número de ministérios. Se não for aprovada pela Câmara e pelo Senado até o dia 3, o governo será obrigado a retomar a formatação da Esplanada que vigorava no governo Michel Temer (MDB).

Para que a reestruturação do governo seja votada, o plenário precisa apreciar antes outras duas medidas. Na tarde desta terça (21), integrantes do centrão deram início a uma articulação para convencer a oposição a não obstruir as votações.

Os temas, no entanto, sofrem resistência dos partidos de esquerda. A MP 863 abre o setor aéreo ao capital estrangeiro, e a 866 cria uma empresa para administrar a infraestrutura aeroportuária. A primeira perde a validade nesta quarta (22). A outra, no dia 30 de maio.

Além da oposição, as derrotas recentes do governo no Congresso contam com o chamado centrão como patrocinador. O DEM, por exemplo, comanda a Câmara, o Senado e três ministérios do governo