Para pastor, cristão tem de enfrentar de direita e esquerda

Aroldo Murá

Reverendo Valdinei Ferreira

Valdinei Ferreira, paranaense do Norte do Paraná, 48, graduado e mestre em Teologia, doutor em Sociologia pela USP, não é muito conhecido em Curitiba, embora tenha atuado na RMC na Segunda Igreja Presbiteriana Independente, em São José dos Pinhais – ao lado do reverendo Jean Selleti – e lecionado por anos no hoje extinto Curso de Teologia da Faculdade Evangélica do Paraná.

No entanto, Valdinei está na crista da onda, quando o jornalismo profissional de qualidade procura recolher a opinião de lideranças evangélicas distantes das caricatas frentes evangélicas que pululam nas assembleias e Congresso.

Na terça, 20, por exemplo, a Folha de São Paulo deu página inteira com entrevista do reverendo, pastor principal da Primeira Igreja Presbiteriana Independente do Brasil em São Paulo (o mais antigo templo físico Reformado, de 1900, na Capital paulista).

Na ampla entrevista, Valdinei pode aparentar estar em cima do muro, “cheio de dedos” com relação à esquerda e à direita nos meios evangélicos do Brasil, segundo me observa um ministro da Igreja Assembleia de Deus (Missão) ouvido pela coluna.

Na verdade, Valdinei, teólogo acatado e considerado “um pastor muito prudente” por fontes da IPI, disse que, diante do quadro político reinante, o cristão “tem de enfrentar conspirações de direita e da esquerda”.

REFORMA BRASIL

A posição política desse ministro evangélico de uma das mais expressivas igrejas históricas no Brasil, pode ser em parte avaliada no manifesto que ele assinou três dias depois da vitória de Jair Bolsonaro.

O documento foi subscrito por outros líderes cristãos em nome do movimento Reforma Brasil. O texto pede que os cristãos se posicionem de forma “intransigentemente em favor da democracia”.

O manifesto envolveu homens e mulheres que não estão de acordo com a chamada Bancada Evangélica. E ele mesmo, Valdinei, há um ano lançava outro manifesto crítico “aos cadáveres da política e da Bancada Evangélica”.

Valdinei acha que a esquerda não errou ao defender as minorias, mas abraçou lutas identitárias – como da mulher e do negro sem o zelo de não alienar blocos como o evangélico.

ESCOLA SEM PARTIDO

Um dos temas mais caros à campanha dos evangélicos pentecostais e de Jair Bolsonaro na campanha – Escola sem Partido – ele acha que o tema “é uma bobagem”. E explicou: acha legítimo que não haja doutrinação na sala de aula. Mas com Escola sem Partido “você vai criar um índex do que pode ser lido?”, indaga.

Professor de teologia no seminário da IPI, em São Paulo, Valdinei lembrou, por exemplo, que na sua faculdade é obrigatório apresentar o Manifesto Comunista para o estudo dos alunos. “Não se trata de doutrinação marxista”, disse.

FAMÍLIA FOI DECISIVA

Valdinei acredita ainda que as bandeiras de Bolsonaro foram legítimas, e definitivas para sua vitória eleitoral: “Ele foi o antissistema, mas o tema Família foi o mais decisivo para ele ganhar a eleição”

TOLERANTES

Das opiniões de Valdinei a coluna pinçou ainda: “Conservadorismo não é necessariamente ser intolerante. E progressismo não é necessariamente ser tolerante.”

“Parte das minorias não se sente representada, e parte das maiorias se sente acuada pelas emergências das minorias. Isso é algo novo na sociedade brasileira.”

Templo da Primeira Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, em São Paulo

LEIA A COLUNA COMPLETA AQUI

Sair da versão mobile