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Novo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o advogado Felipe Santa Cruz quer colocar a entidade na linha de frente da defesa do direito de minorias e daqueles que “não têm voz”. Filho de um desaparecido político da ditadura militar, Santa Cruz tem histórico de desavenças com o presidente Jair Bolsonaro, a quem já chamou de “fascista”.

Aos 46 anos, o pernambucano criado no Rio Grande do Sul e formado pela PUC-Rio, foi eleito na noite desta quinta, 31, para comandar a entidade até 2022, substituindo Cláudio Lamachia. Em discurso após a confirmação de seu nome, falou que, sob seu comando, a ordem atuará para proteger o direito de defesa no País e os que estão “frágeis”.

“Que aqueles que acreditam que o processo civilizatório pode ter rupturas que se tranquilizem, porque aqui está o escudo da Constituição”, afirmou em cerimônia na sede do Conselho Federal da OAB em Brasília. Ele concorreu em chapa única.

O desentendimento entre Santa Cruz e Bolsonaro teve início em 2011, quando o então deputado federal afirmou em palestra na Universidade Federal Fluminense (UFF) que Fernando Santa Cruz, pai do agora presidente da OAB, teria morrido “bêbado” após pular o carnaval. Militante do grupo “Ação Popular”, Fernando foi preso pelo governo em 1974 e nunca mais foi visto.

À frente da OAB-Rio, Felipe iniciou movimento em 2016 para pedir ao Supremo Tribunal Federal a cassação do mandato de deputado federal de Jair Bolsonaro por “apologia à tortura “. Ao votar pelo impeachment de Dilma Rousseff, o então parlamentar fez uma homenagem a Carlos Brilhante Ustra, que comandou o Doi-Codi de São Paulo, centro de tortura durante a ditadura.

Santa Cruz, que é mestre em direito e Sociologia pela UFF, tem pontuado que adotará postura institucional à frente da OAB e não de enfrentamento ao governo por seu passado com Bolsonaro. A interlocutores, contudo, tem dito que se prepara para ser alvo de críticas de integrantes do governo e da militância bolsonarista.