A soma de abstenções, votos brancos e nulos na cidade de São Paulo superou a votação recebida por Bruno Covas (PSDB), reeleito no segundo turno deste domingo (29). O atual prefeito teve 3.169.121 votos, enquanto o montante acumulado dos que não escolheram nenhum candidato chegou a 3,6 milhões.

No primeiro turno, Covas e Guilherme Boulos (PSOL, rival do prefeito reeleito na segunda etapa), juntos, somaram 2.832.873 de votos.

Desde 2012, São Paulo registra aumentos no número de eleitores que não escolhem um representante nas urnas.

 

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, anuncia a nova modalidade do programa Corujão da Saúde, durante entrevista à imprensa

 

Enquanto no primeiro turno deste ano a capital paulista teve 3,6 milhões de eleitores nesse grupo, em 2016 o número foi de 3,1 milhões e, em 2012, de 2,5 milhões.

Já no cenário de segundo turno, o número foi de 2,5 milhões em 2012 –em 2016, João Doria (PSDB) foi eleito já na primeira etapa de votação.

O montante que não votou em nenhum dos candidatos representa 40,6% do eleitorado neste ano, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Em 2016, o percentual era de 34,8% no primeiro turno.

Isso significa um aumento de 20,6% de 2012 para 2016 e de 16,5% de 2016 para 2020 em primeiro turno. No segundo, a variação de 2012 para 2020 totalizou 38,7%.

As zonas eleitorais que registraram os maiores índices de eleitores que não escolheram candidato foram Santa Ifigênia (46,8%), Bela Vista (44,5%), Jaçanã (43,1%), Itaim Paulista (43%) e Itaquera (42,8%).

As menores taxas foram registradas em Saúde (37%), Pinheiros (37,3%), Butantã (37,5%), Santo Amaro (38,1%) e Grajaú (38,2%).

Os dados mostram que a maior porcentagem de eleitores que votaram em um dos candidato em São Paulo é de 63%, na Saúde. A menor, na Santa Ifigência, é de 53,2%.

Esta também foi a zona eleitoral que registrou o maior número de abstenções na cidade neste segundo turno, com 39,78%. O menor índice se deu em Parelheiros, com 26,14%.

O retrato geral de São Paulo é similar aos números do Brasil. No segundo turno, o país totalizou 14,7 milhões de eleitores que não escolheram um candidato, o que representa 38,4% do eleitorado.

Em 2016, essa porcentagem era de 32,8% e, em 2012, de 26,6%. Esse grupo é menor no primeiro turno das eleições, quando o percentual foi de 30,6%. De 2016 para 2020, o aumento foi de 17,3% de abstenções, brancos e nulos juntos.

Em relação às abstenções, o país registrou recordes no primeiro e no segundo turno deste ano. Neste domingo, a taxa foi de 29,5%, o maior índice desde 1996.

Já no último dia 15, a parcela dos que não compareceram às urnas foi de 23,1%, o maior dos últimos 20 anos. Houve aumento consecutivo de abstenções no segundo turno da eleição municipal desde 2000 nos segundos turnos. O ranking de ausências é liderado pelo pleito atual, seguido por 2016.

Em São Paulo, a taxa de abstenções foi de 30,81% do domingo (29). No primeiro turno, fora de 29,3%. Em 2016,era de 21,8% e, em 2012, 18,5%.

Enquanto a abstenção foi elevada na capital, o litoral paulista ficou lotado neste domingo.

Já em relação à variação das abstenções na cidade de São Paulo, levantamento da Folha de S.Paulo mostrou que regiões periféricas apresentaram os aumentos mais expressivos entre as eleições de 2016 e 2020.

As áreas que tiveram os maiores aumentos nas abstenções foram Vila Formosa (42,2%), Cidade Tiradentes (42%), Perus (40,8%), Guaianazes (40,6%), Vila Jacuí (40%) e Brasilândia (39%), todas na periferia e com os menores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade.

Guaianazes e Cidade Tiradente, por exemplo, ficam na subprefeitura de Guaianazes, que registra o menor IDH do município (0,713).

As zonas eleitorais que registraram as maiores variações na abstenção também têm números importantes de pessoas aptas a votar, o que dá ainda mais peso para essa ausência. Brasilândia, por exemplo, tem 239.785 aptos a votar, a quarta maior zona da cidade. É o caso também de Perus, décima com maior eleitorado, com 187.793.