Grupos políticos já se movimentam internamente para as eleições que substituirão Rodrigo Maia (DEM-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados. Embora a data da eleição esteja marcada para ano que vem, diversos nomes estão sendo colocados à disposição, no entanto, o que o atual presidente deseja é que – independente do partido – seja mantida a independência do Congresso. “Não é bom para a sociedade que se tenha um parlamento que seja submisso ao Governo, isso enfraquece o próprio Governo porque você passa a ter um parlamento que apenas referenda o que o Governo quer e isso não é bom”, defendeu ele, durante entrevista à Banda B, na manhã desta quarta-feira (5).

 

Rodrigo Maia em entrevista à jornalista Denise Melo da Banda B, na manhã desta quarta-feira (5). Foto: Reprodução Instagram

 

Cotada para a vaga, a ministra da Agricultura Tereza Cristina é um dos nomes para a sucessão, assim como os deputados Arthur Lira (PP-AL), Baleia Rossi (MDB-SP), entre outros. Sem mencionar favoritismo, Rodrigo Maia disse que ainda é cedo para se pensar na presidência da Câmara, mas estendeu a lista de nomes.

“É natural essa movimentação, o ideal é que aconteça um pouco mais lá na frente, além desses nomes, há outros, como por exemplo Marco Pereira (PRB-SP), deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Elmar Nascimento (DEM) Marcelo Ramos (PL-AM), Soraya Santos (PL-RJ). O meu sentimento é que a Câmara vá escolher, majoritariamente, um presidente da Câmara, pode ser da base do Governo ou não, mas que sinalize da independência da Câmara. Os deputados estão vendo que é importante que se trabalhe de forma harmônica com o Governo, mas com a independência para que a gente possa também ter uma Câmara que diga ‘não’ a alguns projetos do Governo porque assim é o processo democrático”, declarou.

Maia assumiu a presidência em 2016 com a saída do ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ).

Sem perfil

Rodrigo Maia afirmou à Banda B  que não tem qualquer pretensão de se candidatar à Presidência da República por falta de perfil. “Tenho que primeiro terminar bem o meu mandato na presidência da Câmara, podemos aprovar coisas importantes e depois a gente organiza o futuro. A presidência da República não é uma vontade pessoal, como dizia Antônio Carlos Magalhães: ‘é destino’, e o meu perfil, de fato, não é perfil para a política brasileira, que teria a probabilidade de ser presidente da República”, declarou.

No entanto, Maia defende a sua participação em projetos políticos de centro ou centro-direita. “Certamente, quero participar do projeto, quero organizar os partidos de centro, da centro-direita para um projeto que eu entenda que, de fato, modernize o Estado Brasileiro, garanta o crescimento sustentável e principalmente que garanta serviços públicos de melhor qualidade”, completou.

Candidatos

Para enfrentar o pleito de 2022, o presidente da Câmara Rodrigo Maia citou nomes como o do ex-governador do Ceará Ciro Gomes, do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e do apresentador Luciano Huck.

“São nomes importantes nesse campo, mas que precisam entender que é possível sair apenas um nome daqui para que tenha chance de disputar uma eleição contra o atual presidente Bolsonaro e o PT, que são as duas principais forças da política brasileira hoje”, citou ele.

E Moro?

Maia ainda negou que a proposta de estabelecer uma quarentena para ex-juízes que queiram disputar eleições tenha como objetivo atingir o ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

“Ele saiu da Justiça, veio para o Governo, não deu certo, já saiu. Acho que ele tem toda legitimidade para ser candidato a presidente e não pode uma lei tirar dele esse direito. Uma coisa é a quarentena para quem está em uma função de Estado, outra coisa é uma quarentena para quem saiu. “Não quero disputar com Moro, então, eu tiro do jogo?”, não. Moro pode ser um candidato forte nas eleições de 2022″, finalizou Rodrigo Maia à Banda B.