
Da última vez que estive com madre Chantal, em dezembro passado, a entregar-lhe cestas básicas que amigos da Coluna e do Instituto Ciência e Fé destinaram a famílias que o Mosteiro do Encontro, em Mandirituba, atende em suas necessidades, ela me saudou, efusivamente. Pilotava um andar elétrico, devido à limitada mobilidade de seus 102 anos de vida:
– Bem vindo, senhor Aroldo, nosso amigo há mais de 50 anos…
As religiosas que a acompanhavam – Tereza Paula, Elizabeth, e a madre Cristina, superiora, não estranharam a saudação. Sou mesmo um velho amigo dessa comunidade de religiosas beneditinas, originária de Suíça e Bélgica, fundada em 1972 no bairro do Pinheirinho, em Curitiba.
Há uns 12 anos elas estão na Estrada dos Beneditinos, em Mandirituba, próximo ao local Areia Branca dos Assis, instaladas num ótimo edifício projetado e construído especialmente para essa congregação que segue à risca a ordem do Pai São Bento – “ora et labora”.
Teria muito a dizer sobre Chantal. No entanto, respeito um dos seus últimos pedidos a mim dirigido: “Senhor Aroldo, não quero falar de minha vida.”
Madre Chantal recebendo o jornalista em 2019, com irmã Tereza Paula e irmã Terezinha. Foto Hélio Martins.
Missionária suíça de língua francesa (ela falava também alemão, espanhol e italiano, além de português) Chantal foi testemunha de episódios de triste memória, de guerras intestinas em África que não pouparam nem missionários.
Teve uma vida rica, é o que garanto. Foi farol para amigos como Regines Prochmann (in memoriam), Eleidi Freire Maia, Euclides e Terezinha Scalco, padre Jomar, Fabiano, do MOP…
Graças ao enorme relacionamento de Chantal, construiu-se o atual mosteiro físico, com doações que ela captou mundo afora. Mas o mais importante foi o espaço de revigoramento espiritual e montagem de vidas solidárias que ela lá desenvolveu com gente como a belga irmã Ana (in memoriam) e irmã Tereza Paula.
Graças que Chantal morreu lucidíssima. O corpo é que não mais a ajudava.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.
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