Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48 horas para a Câmara dos Deputados dar explicações sobre a viagem do deputado bolsonarista Mário Frias (PL-SP) ao Bahrein e aos Estados Unidos. A notificação, emitida nesta quarta-feira (20), ocorre após oficiais de Justiça não conseguirem localizar o parlamentar para intimá-lo a depor em uma investigação sobre o suposto uso de emendas de congressistas para financiar a produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha de Jair Bolsonaro em 2018.

Em entrevista concedida na terça-feira (19) ao programa SBT News, Frias disse que vai voltar ao Brasil nos próximos dias, justificando sua viagem como para “prospecção de investimentos”.
“Eu tenho passagem de volta para o Brasil. Tenho uma filha de 14 anos no Brasil, a minha esposa está no Brasil. Não devo nada e estou pronto para prestar contas”
disse o parlamentar
A investigação do deputado bolsonarista Mário Frias no STF
A pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), o STF instaurou uma apuração preliminar para investigar um suposto desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, uma entidade ligada à produtora audiovisual Go Up Enterteinment, responsável pelas gravações do filme Dark Horse, que ainda não foi lançado e retrata a trajetória política do ex-presidente. Frias é apontado como produtor-executivo da obra.
Segundo o oficial de Justiça responsável pela notificação de Frias para esclarecimentos, até o momento, já foram cinco tentativas de entregar a intimação ao deputado ou a seu gabinete. Em tentativa na segunda-feira (18) no endereço indicado pela Câmara como sendo a residência do parlamentar, o porteiro do edifício informou que ele não mora no local há dois anos.
Em sua defesa, Frias afirma que não há irregularidades nas emendas e menciona um parecer da Advocacia da Câmara, que atestaria a ausência de inconsistências ou ilegalidades.
“Dark Horse” está no centro de polêmica envolvendo doações de Daniel Vorcaro
O filme que retrata a campanha vitoriosa de Jair Bolsonaro à Presidência em 2018 se viu envolvido em polêmicas de financiamento após reportagem do The Intercept Brasil mostrar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato a presidente, pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações.
Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que a negociação do patrocínio ao filme se deu entre entes privados.
Na esteira das revelações sobre o envolvimento da família Bolsonaro com Vorcaro, Flávio admitiu ainda que se encontrou com Vorcaro depois que ele foi solto de sua primeira prisão, no final de 2025. Na sua justificativa, o presidenciável afirma que a reunião serviu para dar um “ponto final” nas conversas com o banqueiro, após entender que o caso envolvendo o Banco Master era “muito mais grave” do que pensava.
Pesquisas eleitorais medem clima após vazamento de conversas de Flávio e Vorcaro
Além disso, nesta terça-feira (19), a AtlasIntel divulgou os resultados de uma pesquisa de intenções de voto para a presidência. Dessa forma, o levantamento mostra que o percentual de intenções de voto para Flávio caiu desde o vazamento das conversas com Daniel Vorcaro. A pesquisa também mostrou mostra as percepções do eleitor sobre o candidato e a conversa vazada.
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