Um novo contrato para fornecimento de insulina ao Sistema Único de Saúde (SUS) foi assinado pelo Ministério da Saúde com a Star Pharma, no valor de R$ 34,4 milhões, na última sexta-feira (8). A distribuidora de medicamentos foi mencionada na representação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que embasou a Operação Carbono Oculto. A empresa foi citada na investigação por suposta ligação, direta ou indireta, com investigados por elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O Ministério da Saúde assinou contrato de R$ 34,4 milhões após empresa ser citada na Operação Carbono Oculto por suposta ligação com investigados ligados ao PCC. A imagem mostra ampolas de insulina.
Ministério da Saúde fechou novo contrato para fornecimento de insulina ao SUS com empresa mencionada na Operação Carbono Oculto. Foto: Ricardo Stuckert/PR/Reprodução Agência Brasil

A Star Pharma foi apontada pelo MP-SP como ligada, “direta ou indiretamente”, a Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, um dos principais alvos da investigação sobre a inserção do PCC na economia do Estado Brasileiro. Ele está foragido e manteve negociações para futura delação. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Ações polêmicas envolvendo sócia da Star Pharma

Andrea Cristina Alves Borges, única sócia da distribuidora até novembro de 2025, teria recebido procurações para representar cerca de cinco empresas de diferentes ramos, todas de parentes ou supostos laranjas do Primo.

A sociedade de um hotel e de uma administradora foram assumidas por Andrea, transferidas a ela por uma irmã de Mourad. A Star Pharma também aparece em Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que citam a empresa como beneficiária do fundo Mabruk II e do BK Bank, também sob investigação na Operação Carbono Oculto.

Desde 2024, a distribuidora soma mais de R$ 220 milhões em contratos com o Ministério da Saúde, principalmente para entrega de insulinas e preservativos. O último acordo foi assinado na última sexta-feira (8) e publicado no Diário Oficial da União nesta terça (12).

Insulina sem registro na Anvisa

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a Star Pharma fornece ao SUS modelos de insulina que não possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e são comprados de laboratórios do México, Egito e China.

Esse tipo de insulina, que não passa pela análise de segurança, qualidade e eficácia da Anvisa, são mais baratos e dominam o tratamento oferecido pelo SUS. Segundo o Ministério da Saúde, como relatou a Folha, a pasta recorreu a compras sem registro devido à falta de oferta do medicamento das empresas credenciadas no Brasil.

O Ministério da Saúde disse ainda que segue a legislação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, responsável por exigir avaliação do produto por outra agência estrangeira, e que os contratos têm preço 30% menores.

O que dizem as partes

O Ministério da Saúde afirmou que não existe decisão administrativa ou judicial que ampare a alteração do procedimento de compras com a distribuidora de medicamentos, de acordo com a Corregedoria da pasta.

A Star Pharma, por outro lado, afirma que mantém atuação de forma regular e que segue a legislação sanitária e de compras públicas. A emprersa disse ainda que não faz parte e não financia ou tem vínculo societário com pessoas investigadas. A distribuidora também repudiou “qualquer tentativa de associar sua atenção” a grupos criminosos.

Entenda a Operação Carbono Oculto e a investigação sobre o PCC

A Operação Carbono Oculto foi deflagrada pela Receita Federal (RF) e por órgãos parceiros, no dia 28 de agosto de 2025. A ação é uma das maiores do Brasil em termos de cooperação institucional e amplitude.

O objetivo da Carbono Oculto é desmantelar esquema de fraude e de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Veja, abaixo, alguns dos alvos das investigações:

  • Elos da cadeia de combustíveis controlados pelo crime organizado, como importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final;
  • Elos finais de ocultação e blindagem do patrimônio, via fintechs e fundos de investimento.

De acordo com a Receita Federal, as investigações apontam que o esquema engendrado pelo PCC lavava dinheiro proveniente do crime e obtinha altos lucros na ramo produtivo de combustíveis. A dissimulação dos recursos de origem criminosa ocorria por meio do uso de centenas de empresas operacionais na fraude.

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