O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (c) é escoltado pela polícia ao deixar velório do neto de 7 anos – Foto: : DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a Curitiba na tarde deste sábado (2) após deixar o cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo, no Grande ABC, onde ocorreu o velório do neto Arthur Araújo Lula da Silva, que morreu aos 7 anos de uma meningite meningocócica.

O avião com o ex-presidente pousou no Aeroporto do Bacacheri,  por volta das 15h30. De lá, o ex-presidente seguiu de helicóptero para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF), onde está detido desde 7 de abril de 2018.

O velório ocorreu no crematório do cemitério, onde o garoto também foi cremado. Lula chegou por volta das 11h. Escoltado, o ex-presidente foi de carro ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para retornar a Curitiba, onde cumpre pena na sede da Polícia Federal (PF).

Do lado de fora do crematório, dentro do cemitério, centenas de militantes se aglomeram em solidariedade ao ex-presidente e ao neto. Cantaram “Lula livre” e “Lula, guerreiro, do povo brasileiro”, na esperança de que o petista saísse para um discurso. O ex-presidente, contudo, por determinação judicial, não pode falar com a militância, segundo o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

Durante a cerimônia, o ex-presidente prometeu ao neto que ‘vai cuidar da família e de todos nós que vamos ficar aqui’.

“O Arthur foi um menino que sofreu muito bullying na escola, porque era neto do Lula. Por isso, eu tenho um compromisso com você, Arthur, eu vou provar a minha inocência e quando eu for para o céu, eu vou levando o meu diploma de inocente”, afirmou.

“Vou provar quem é ladrão neste País e quem não é. Quem me condenou não pode olhar nos olhos dos netos como eu olhava para você.”

Segundo relator, Lula chorou muito durante a cerimônia, da qual participaram dois pastores metodistas e um padre católico, e consolou o filho Sandro Luis Lula da Silva e a nora Marlene Araújo. O ex-presidente ficou mais de 30 minutos recebendo cumprimentos de mais de 100 pessoas.

Ao deixar o cemitério, Lula subiu no carro da PF e acenou para seus apoiadores. Na hora que ele desceu, o delegado da PF disse: “O senhor sabe que não devia ter feito isso.”

“O senhor sabe que eu devia”, respondeu Lula.

O petista saiu de Curitiba, onde está preso na Operação Lava Jato, no começo da manhã para comparecer à cerimônia do neto, que morreu na sexta-feira, 1, vítima de meningite meningocócica. Lula chegou ao velório por volta das 11h e permaneceu no local até as 13h.

Veja a chegada de Lula à cerimônia

 

A Polícia Militar de São Paulo fez um esquema especial de segurança antes da chegada do ex-presidente ao velório do neto. Ao todo, seis PMs armados estavam na capela onde o corpo do menino está vendo velado. Além disso, mais de dez viaturas estão no entorno do local e uma barreira feita na entrada do cemitério causou incômodo a família de Lula.

Durante a noite de sexta e a madrugada de sábado parentes, amigos da família e aliados de Lula estiveram no local para prestar solidariedade à família. Entre eles a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, os ex-ministros Alexandre Padilha, Gilberto Carvalho e Paulo Vannuchi, o médico Roberto Kallil Filho e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Hoje de manhã chegaram o deputado estadual Emido de Souza e o advogado Marco Aurélio Carvalho.

Segundo Paulo Okamotto, entre as condições impostas a Lula para ir ao sepultamento estão não ficar em espaço aberto nem falar com a população. Advogados petistas disseram que o ex-presidente não poderia ficar no mesmo espaço em que estavam a ex-presidente Dilma e Gleisi.

A ex-presidente Dilma Rousseff chegou ao velório por volta das 9h30, acompanhada do ex-ministro Aloízio Mercadante. Também foram à cerimônia o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o líder do MTST Guilherme Boulos. Por volta das 10h20, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), chegou ao local.

O clima no velório era de profunda tristeza. Sandro chorava em uma cadeira ao lado do caixão branco do garoto sob o qual foram postos um par de chuteiras e uma bola de futebol.

Sem entrevistas

A juíza Carolina Lebbos, da 12.ª Vara Federal, autorizou na sexta-feira, 1.º, que o ex-presidente fosse à cerimônia do neto. A magistrada proibiu o ex-presidente de conceder entrevistas. Após o pedido da defesa para Lula ir ao velório, o processo em que corre a Execução Penal de Lula entrou em sigilo.

Carolina autorizou a participação de Lula no velório, mas ordenou o sigilo sobre os detalhes do deslocamento ‘a fim de preservar a intimidade da família e garantir não apenas a integridade do preso, mas a segurança pública’. A força-tarefa da Lava Jato manifestou-se de forma favorável à ida do ex-presidente ao velório.