O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, minimizou na manhã desta segunda-feira, 4, os atritos recentes que teve com o presidente reeleito da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Quem apostar na nossa briga, vai perder”, disse o ministro em entrevista à Rádio Jovem Pan.

“Eu fui liderado pelo Rodrigo e fui líder do Rodrigo na Câmara. A gente tem uma relação, que claro no episódio das dez medidas contra a corrupção (relatadas pelo ministro), ficou sim algumas pequenas dificuldades. Mas nada que esta longa relação, de quase 20 anos, não permita que a gente almoce juntos, inclusive amanhã”, afirmou.

Questionado sobre quem mais estaria presente no almoço, Lorenzoni disse que “talvez” o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O ministro atacou ainda o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que se retirou da disputa ao comando da Casa e disparou críticas a aliados do governo.

Onyx Lorenzoni – Foto – Ag. Brasil

“A gente tem de ter clareza que o objetivo de Renan Calheiros com o Partido dos Trabalhadores era fazer da presidência do Senado um bunker, uma cidadela de resistência ao governo de Jair Bolsonaro”, disse.

Sobre a resistência que Renan poderia representar, Lorenzoni ponderou: “ele perdeu a cadeira e a caneta, e claro que tem menos poder. Mas a gente não tem ilusão que o PT e alguns dos seus aliados vão nos dar folga tanto na Câmara quanto no Senado”, disse.

Previdência até fim do mês

Lorenzoni afirmou ainda que o projeto de reforma da Previdência está consolidado internamente no governo e que ele deve ser encaminhado à Câmara até o fim de fevereiro.

“Internamente, o projeto da Previdência está consolidado, precisa de uma sintonia fina, que é a sensibilidade do presidente Jair Bolsonaro, que quando retornar de São Paulo, que a gente espera que até o final da semana aconteça, ele possa se debruçar. E a gente já tendo o presidente plenamente recuperado, possa dialogar com ele, faça a definição e aí encaminhe para a Câmara dos Deputados. A gente acredita que até o fim do mês o projeto deve estar na Câmara dos Deputados para que a gente possa iniciar a sua tramitação”, disse o ministro.

Onyx ressaltou ainda que a eleição de Davi Alcolumbre (DEM-AP) ao comando do Senado é mais um dos fatores que ajuda na aprovação das mudanças no sistema de aposentadorias. “Ele poderá conduzir com firmeza, mas ao mesmo tempo com suavidade e identidade com a rua, o reencontro do Senado com a população. Este caminho, e com bastante diálogo, vai ser seguramente a fórmula para a gente aprovar a reforma da Previdência”, afirmou

Para Onyx, os votos de Alcolumbre, somados aos de Esperidião Amin (PP-SC) e Angelo Coronel (PSD-BA), podem assegurar o quórum constitucional para a aprovação de reformas.

O ministro disse ainda que “está sendo feita” a construção do projeto para mudança na Previdência dos militares e que, a depender de “entendimentos internos”, os dois projetos serão encaminhados juntos.