“Justificativas” sobram para nova tarifa dos ônibus de Curitiba

Aroldo Murá

Ônibus Expresso: nova tarifa vem aí (Foto: Fernando Trilha Jr.)

As alegadas perdas do sistema de transporte coletivo de Curitiba tomaram conta dos noticiários nos últimos dias.

Na verdade, as coisas estão se complicando.

Se, de um lado, a perda de passageiros em 2018 é, no mínimo, monumental, o que dizer enquanto o alcaide Rafael Waldomiro Greca de Macedo, ainda no início de dezembro, ameaçava elevar a tarifa em 29 centavos – totalizando, assim, 4,50 reais -, sob a alegação de que os empresários estavam sofrendo perdas, o que não era em absoluto tolerado?

MAIS CARA DO PAÍS

Pobres de nós, curitibanos, pagando seguramente a tarifa mais cara do transporte público no país, conquanto os 4,25 cobrados desde 2017 ainda são altos, quando comparados com os valores tarifários recém-definidos agora na última semana e válidos em outros grandes centros do país.

PERDAS IMPRESSIONANTES

Curitiba perdeu 2,9 milhões de passageiros de ônibus em um ano. Segundo informações do Setransp (Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana), a queda foi de 1,61% em 2018, comparado ao ano anterior. Sem considerar beneficiários de gratuidades e descontos, de 179,6 mi usuários pagantes, em 2017, o movimento no ano passado despencou para 176,6 mi.

LADEIRA ABAIXO

Mais revelador – e assustador – é o comparativo com 2011, ano em que a frota de ônibus urbanos transportou 246,9 milhões de passageiros. No comparativo com 2018, o tombo é fenomenal: menos 28,4%. Por conta das facilidades então existentes de financiamento bancário, ou mesmo por causa de pouco dinheiro no bolso, o “esquecimento” do uso de ônibus foi esse nos seguintes anos: Em 2012, foram 241,24 milhões de passageiros.

Em 2013, 239,16 milhões; em 2014, 227,04 milhões; em 2015, 211,78 milhões; em 2016, 199,51 milhões; em 2017, 179,63 milhões e, por fim, em 2018, 176,74 milhões.

PULA CATRACAS

Se os números acima incomodam, mais séria é a questão ligada aos chamados pula-catracas. Já são milhares os que burlam o pagamento regular da passagem e invadem os ônibus de forma ostensiva, a ponto de os prejuízos somarem – também conforme a Setransp – algo em torno de R$ 6 milhões/ano. Com esse montante é possível comprar cinco novos ônibus biarticulados.

PURO ARREMEDO

A recente solução encontrada em instalar nas estações-tubo um arremedo de proteção capaz de não evitar, mas reduzir a infração, não gerou resultados esperados. Números de 2018 mostram que diariamente 3.995 pessoas embarcam nos coletivos sem pagar tarifa.

LEI SEM EFEITO

Apesar de a Câmara Municipal ter aprovada a chamada “lei fura-catraca” em 2016, pouco ou nada aconteceu até agora, por conta da fiscalização deficiente. A multa, salgada, equivalente ao preço de 50 passagens, ou seja R$ 212,50, pode assustar. Mas a tal lei ainda depende de regulamentação sobre a fiscalização.

MEIA “SOLUÇÃO”

Para evitar a perda de receita, prefeitura e Setransp bolaram um anteparo que bloqueia a passagem de quem não paga a tarifa, instalado nas portas 1 e 5 da plataforma dos tubos, nos dois sentidos, para evitar usuários que não pagam a passagem. A tática mostrou apenas meio resultado, por conta do desenho que não impede de todo a função para que foi criado.

Prefeito Rafael Waldomiro Greca: num beco sem saída?

REAJUSTE VEM AÍ

O arremedo de arranjo exige novo desenho, o que incomoda empresários, como também o prefeito, que, mal-humorado e sem dispor de uma fórmula capaz de eliminar o problema, ameaça – como o fez no início de dezembro – com um reajuste tarifário que, segundo ele, pode chegar a R$ 0,29 já em fevereiro, mês em que a tarifa é tradicionalmente revista pelo poder público.

O prefeito Rafael Waldomiro Greca de Macedo alega que os altos custos operacionais exigem a revisão tarifária. A conferir.

TARIFA DOMINGUEIRA

A se tornar real a ameaça, a tarifa, já no próximo mês, chegaria assim a R$ 4,54 – atualmente custa R$ 4,25, e há muito tempo o curitibano tem saudade da velha e boa tarifa domingueira. Era subsidiada, mas funcionava. A vigorar a ameaça e o novo preço, Curitiba terá a honra de, mais uma vez, apresentar a tarifa do transporte urbano mais cara do país, se comparada com os preços recém-implantados em outros grandes centros brasileiros, e menores.

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