O Estado do Paraná foi condenado pela Justiça a pagar indenização por danos morais a Leonardo Sakamoto, jornalista e colunista do UOL, que teve seus dados acrescentados na ficha criminal de uma mulher condenada por assassinato. A decisão foi proferida pela juíza Ana Lúcia Penhabel, do Juizado Especial da Fazenda Pública de Nova Esperança, no Norte do Paraná, nesta terça-feira (31). As informações são da Folha de S. Paulo.

Sakamoto se tornou, de forma ilegal, alvo das forças de segurança paranaenses. Em 2017, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) inseriu o CPF dele na ficha criminal de uma mulher de 27 anos condenada por assassinato. Os dados foram distribuídos nacionalmente através do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Jornalista será indenizado após erros da polícia
Devido ao erro, Sakamoto passou a ser procurado por homicídio em todo o Brasil, e, por duas vezes, foi parado por policiais militares em São Paulo, em junho de 2025, quando estava saindo de casa rumo ao UOL. A placa do veículo dele, vinculada ao CPF, foi identificada pelas câmeras do sistema de segurança. Em outra ocasião, foi tratado como suspeito de alta periculosidade. Os agentes apontaram fuzis e outras armas contra o jornalista.
No ano passado, Guilherme Derrite, então secretário de Segurança Pública de São Paulo, telefonou para Leonardo Sakamoto para entender a situação. Os dados do jornalista foram excluídos da base de procurados, mas recomendaram que ele não saísse de casa por um tempo, para que não fosse tratado como um alvo pelas câmeras de segurança da cidade.
Em despachos posteriores, o CPF de Sakamoto voltou a aparecer, mesmo que nenhum dos 11 dígitos do documento da mulher condenada por homicídio coincidisse com os do jornalista.
Sentença da juíza e pronunciamento de Sakamoto
De acordo com sentença da juíza Ana Lúcia Penhabel,
a indevida vinculação de identificação do autor a mandado de prisão emitido contra terceira pessoa configura grave violação à sua dignidade honra e liberdade.
disse a magistrada
A PCPR está condenada a pagar R$ 10 mil ao jornalista, mas ainda cabe recurso.
Leonardo Sakamoto, à Folha de São Paulo, afirmou que “o caso mostra com o é fácil colocar em risco a vida de um jornalista com apenas alguns dados e acesso ao sistema”.
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