A Polícia Federal suspeita que os ataques de hackers em celulares de pessoas ligadas à Lava Jato tenham sido realizados de forma orquestrada, por um mesmo grupo. Embora as investigações ocorram de forma individual, a PF identificou um padrão nos casos.

Há até agora quatro inquéritos abertos para apurar as invasões, em Curitiba, Rio, Brasília e São Paulo, incluindo o que envolve o ministro de Justiça, Sergio Moro.

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Os hackers tiveram acesso a um aplicativo específico de mensagens, o Telegram, e o fizeram depois da realização de telefonemas para o celular que seria alvo. Os primeiros relatos são de abril.

Pelo Twitter, nesta terça (10), o Telegram disse que não há evidências de que seu sistema tenha sido hackeado.

Em resposta a uma pergunta feita por um brasileiro, a conta do aplicativo respondeu em inglês que “não há evidência de nenhuma invasão”. “É mais provável que tenha sido malware [um tipo de vírus] ou alguém que não esteja usando uma senha de verificação em duas etapas”.

Na PF, a suspeita é de que os ataques tenham sido feitos utilizando uma ferramenta que consegue roubar dados do usuário e, assim, acessar o aplicativo ao mesmo tempo que o próprio dono, sem precisar ter acesso físico aos aparelhos e sem precisar instalar programas espiões.
Seria, na verdade, uma espécie de clonagem, que se aproveita de brechas de segurança.

Pelo que foi apurado até agora, esse tipo de instrumento que pode ter sido usado no episódio das pessoas ligadas à Lava Jato seria de baixo custo, o que pode facilitar a comercialização e, portanto, mais ataques.

Casos desse tipo têm sido um desafio para a PF, que, muitas vezes, não consegue chegar nos autores.

Uma perícia que tente localizar a origem da invasão a diálogos travados por telefone celular dependeria do acesso ao aparelho, explicam representantes da APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais), em Brasília. Falando em tese, sem entrar no mérito dos últimos casos relatados procuradores e juízes, os especialistas disseram que a PF e o Ministério Público podem receber o aparelho de forma voluntária, mas também têm como opção recorrer a uma ordem judicial para coleta não só do celular mas também de computadores pessoais usados pelas autoridades.

A reportagem indagou à Procuradoria da República no Paraná se os membros da Lava Jato entregaram seus telefones à PF. O órgão respondeu: “Como se trata de questão de segurança e que já é alvo de inquérito da PF, não estamos repassando maiores detalhes”.

De acordo com o presidente da associação, Marcos Camargo, e o diretor da entidade, Evandro Lorens, com o acesso aos aparelhos, peritos da PF fariam a extração de todos os dados armazenados, podendo também recuperar mensagens apagadas.