O Instagram ocultou uma publicação relacionada ao coronavírus e compartilhada na segunda-feira (11) pelo presidente Jair Bolsonaro por classificá-la como fake news.

A postagem, feita na função stories, dizia ter havido menos mortes causadas por doenças respiratórias no Ceará entre 16 de março e 10 de maio deste ano do que no mesmo período de 2019. O presidente chegou a escrever que havia “algo muito estranho no ar”.

A Agência Lupa analisou a informação e verificou que era falsa. “Além de estarem desatualizados, os números citados no post incluem erroneamente mortes por outras causas, que não têm nenhuma relação com problemas respiratórios”, afirmou.

Instagram classificou como informação falsa postagem de Bolsonaro

O post foi ocultado, mas ainda é possível vê-lo. O usuário é imediatamente alertado sobre a “informação falsa”. Questionada, a assessoria do presidente Jair Bolsonaro ainda não se manifestou.

Com assinatura do deputado estadual André Fernandes (sem partido), a postagem compartilhada por Bolsonaro dizia que os dados teriam sido extraídos do Portal da Transparência do Registro Civil.

Após a atualização feita à 0h de segunda, os dados do Portal da Transparência do Registro Civil indicavam, segundo a Agência Lupa, 2.808 óbitos por doenças respiratórias no Ceará no período citado em 2019, contra 3.217 em 2020 – ou seja, houve aumento de pelo menos 409 casos, um acréscimo de 14,5%.

No fim de março, o Twitter e o Facebook apagaram publicação de Bolsonaro de suas plataformas, por entender que ela cria “desinformação” que pode “causar danos reais às pessoas”.

A postagem era de um dos vídeos do passeio que o presidente fez no Distrito Federal, criando aglomeração e contrariando seu próprio ministro da Saúde na ocasião, Luiz Henrique Mandetta, que recomendou que as pessoas ficassem em casa como medida de enfrentamento ao novo coronavírus.

O vídeo também foi apagado do Instagram, rede social que pertence ao Facebook. “Removemos conteúdo no Facebook e Instagram que viole nossos Padrões da Comunidade, que não permitem desinformação que possa causar danos reais às pessoas”, disse a empresa em nota.

Na ocasião, foi a primeira vez que o Twitter apagou postagens do presidente do Brasil. A companhia também apagou um post do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. A publicação de Maduro indicava uma receita caseira de uma bebida que poderia ser útil para curar a doença.

Após apagar a postagem, o Twitter disse em nota que “anunciou recentemente em todo o mundo a expansão de suas regras para abranger conteúdos que forem eventualmente contra informações de saúde pública orientadas por fontes oficiais e possam colocar as pessoas em maior risco de transmitir Covid-19”.