Ciro Gomes (PDT) vê o impeachment como a única saída da democracia para punir presidentes que cometem crimes de responsabilidade no país. Para ele, não há dúvidas que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) possui os quesitos no âmbito judicial para que seja tirado do cargo. “Bolsonaro comete reiteradamente o crime de responsabilidade”, disse o político, em entrevista exclusiva à Banda B, na manhã desta quarta-feira (29). (Assista a entrevista completa abaixo)

Logo no início da entrevista, Ciro Gomes acredita que a crise política é gerada pelo próprio presidente, que alimenta confrontos entre poderes no Brasil. “Esse é o terceiro elemento da mais grave crise política brasileira, é uma crise crônica que é produzida e alimentada pelo Bolsonaro, a partir da confrontação dele com as instituições da República e ir à porta do quartel do comando do Exército Brasileiro e confraternizar com gente que prega a volta da ditadura, AI-5, fechamento do Congresso, do Supremo. Porém, impeachment não é remédio para Governo ruim. A gente precisa saber que no presidencialismo o mandato é rígido de quatro anos, podendo ou não ser reeleito. Acontece que o impeachment é a única saída que a democracia tem para punir crimes de responsabilidade, feitos de maneira dolosa, ou seja, de caso pensado, praticados pelo presidente da República”, afirma.

 

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Para Ciro Gomes, Bolsonaro pratica crimes de responsabilidade e passou a adotar mudança de estratégia. “No caso brasileiro, a resposta jurídica do impeachment está madura porque o Bolsonaro comete reiteradamente o crime de responsabilidade, como já descrito com relação às instituições. O outro é a exposição da sociedade nacional ao genocídio, em função da atitude anticientífica como comanda a crise da saúde. O outro é a obstrução da justiça, ele tenta parelhar as informações, assim como acontece com a denúncia de Sérgio Moro, muito grave e com procedimento em andamento. No entanto, na visão política, o procedimento de impeachment não anda porque o Bolsonaro ainda tem um terço do apoio popular e percebendo o crescimento da possibilidade da democracia puni-lo por esses crimes, ele muda de conduta. Desde a prisão de Queiroz, que se aproxima muito pesadamente dele e da família dele, Bolsonaro cala a boca, sai do cercadinho, tenta fazer entendimento com a alta cúpula do Judiciário, mandou generais calarem a boca (…), comprou o centrão e está rasgando dinheiro para ter apoio”

Candidato?

Ciro Gomes afirma que o momento é incerto para decidir sobre candidatura à presidência para as próximas eleições, mas adianta que pretende ajudar o Brasil a seguir um caminho. “Eu cultivo a franqueza, quem já foi candidato três vezes não pode andar mentindo para o povo dizendo que não quer ser. Como uma pessoa muito experiente, eu nem posso me apresentar como novo, sou uma pessoa que acumulou experiência, tenho 40 anos de vida pública, nunca respondi por nenhum feito, sem absolvido, passei por tudo isso limpo. Renunciei pensões que tinha como direito sendo prefeito, deputado, governador. Não fui morar em palácios porque considerava que era um privilégio que não me cabia, ia me descaracterizar como um homem que vem da escola pública em sua vida toda, educado ao lado do povo. Nunca perdi uma eleição na minha comunidade, onde as pessoas conhecem meus defeitos, nenhum deles pelo lado moral. Então, eu gostaria de ajudar o Brasil a achar um caminho”, disse ele.

Segundo o político, os próximos momentos do país são incertos. Como eu sei que o que vai acontecer com o Brasil nesses próximos dois anos é tão complicado, delicado, grave que seria uma aposta irrealista eu afirmar categoricamente que serei candidato. Vou ajudar a construir, enfrentar, proteger a democracia, defender as vidas da população brasileira e amanhã vamos ver o que Deus assina para esse país”, descreveu.

Lula x Bolsonaro

Ciro Gomes brincou com a hipótese de escolher entre o pior presidente do Brasil: Lula x Bolsonaro. “Prefiro morrer”. Depois, no entanto, reiterou sua escolha, afirmando que Luiz Inácio Lula da Silva possui um passado generoso para o brasileiro.

“O pior é Bolsonaro, Lula tem generoso com o povo brasileiro. Eu cultivo a honra e respeitar as pessoas que me ouvem. Lula tomou o Brasil com o salário mínimo valendo U$ 100 dólares e finalizou o Governo dele com o salário mínimo equivalente ao poder de compra de U$ 320 dólares. Isso é algo muito importante. O Lula pegou o crédito no Brasil com 15% do PIB e entregou com 55% do PIB. O problema é que tudo isso foi feito sem um plano estratégico, era só um projeto de poder”, opina.

Entrevista

Assista a entrevista na íntegra de Ciro Gomes, concedida à Banda B, por meio da jornalista Denise Mello: